DarkSide e Macabra se unem para resgatar o clássico perturbador de Mendal W. Johnson “Eles são apenas crianças... É apenas um jogo.” Foi o que Barbara, uma adorável babá de 20 anos, disse a si mesma quando acordou amarrada e amordaçada na casa dos Adams. Tinha que ser apenas um jogo. No mundo perfeito e pacato que Barbara habitava, crianças comuns não mantinham um adulto cativo. Mas ela não contava com a inebriante crueldade que morava nessas crianças ― com os pais ricos de férias em algum lugar bem longe de casa, elas se viram no direito de explorar seus impulsos violentos em um jogo macabro e sádico. O que poderia ter sido uma brincadeira de muito mau gosto que passou dos limites logo se transforma em um jogo torturante de controle e deleite. Quando os Adams Saíram de Férias, novo título da DarkSide® Books em parceria com a Macabra Filmes, é uma das obras mais inquietantes e por vezes repulsiva do horror contemporâneo. Nas décadas que se seguiram à sua publicação original, em 1974, o best-seller de Mendal W. Johnson ganhou uma reputação à altura de suas palavras ― foi chamado de vil, maligno, perturbador e angustiante. Finais alternativos foram escritos por leitores incapazes de aceitar as sombras lançadas pelo autor, e o alívio de concluir a leitura se mostrou inigualável. A violência transborda e parece gratuita, mas ela segue o fluxo irracional e primal da crueldade contida em cada personagem. Quando os Adams Saíram de Férias reúne a psique deturpada e evoca obras como Menina Má, O Senhor das Moscas e A Garota da Casa ao Lado ― este último, inspirado na mesma história que levou Johnson a escrever seu livro: o assassinato da jovem Sylvia Likens, de 16 anos, filha de artistas circenses cuja vida instável a deixava com frequência aos cuidados de amigos ou parentes quando os pais viajavam. Após um longo período de férias das estantes brasileiras, a DarkSide® Books e a Macabra Filmes resgatam este clássico transgressor baseado em fatos que deixa explícita a natureza cruel da humanidade. Prepare seu estômago.
Quando os Adams Saíram de Férias -
Mendal W. Johnson
Barbara é uma universitária comum. Rala para completar os estudos e sonha com um futuro promissor. Para ganhar uma grana extra nas férias de verão, resolve aceitar o convite dos Adams, que estão saindo de férias, para cuidar de seus dois adoráveis filhos: Cindy e Bobby. As coisas fluíam de uma forma tranquila até o momento em que ela acorda na madrugada completamente amarrada na cama e amordaçada. Dá-se início ao terror. O nome do jogo é Liberdade 5, onde cinco pré-adolescente/adolescentes querem descontar todo ódio, medo e angustia que sentem em Barbara. Além de Cindy e Bobby, os outros três amigos que formam o Liberdade 5 são Paul, Dianne e John. A obra é grotesca, profunda e chocante. Com uma narrativa desesperadora do ponto de vista de Barbara, sentimos na pele todas as atrocidades e humilhações que a personagem recebe. O ponto de vista dos garotos também se faz presente, nos mostrando todos os desejos, medos, crenças, necessidades e anseios que os fizeram iniciar aquele jogo. Um dos pontos positivos do livro é deixar claro a personalidade de cada um dos jovens: Bobby, de 13 anos, é o mais bonzinho do grupo. Embora tenha sido ele o responsável por drogar Barbara e prendê-la, não imaginava as proporções que o jogo atingiria. Apesar de sua vontade de voltar atrás e libertar Barbara, sente-se receoso por medo de uma represália por parte dos demais; Cindy, a irmã de Bobby, de 10 anos, é a mais bobinha da turma. Apesar de achar que tudo é uma grande brincadeira, aos poucos começa a ser influenciada e ter sua consciência moldada para o mal; Dianne, de 17 anos, é a "cabeça" do grupo. Ela é quem dita as regras e informa qual o próximo passo a seguir. De natureza fria e calculista, todas as ações do grupo se tornam fáceis com ela no comando; Paul, o irmão de Dianne, possui 13 anos. Quem o olha não imagina as perversidades que se passam em sua cabeça, que com o tempo percebemos o quão doentia é; e John, de 16 anos, que procura aproveitar a situação para se conhecer, conhecer seu corpo e descobrir o prazer às custas de Barbara. Outro ponto positivo é que o livro foge aos clichês do gênero. Tudo é conduzido de uma forma bem direcionada, onde todos os pormenores se encaixam e levam a trama a um final chocante e que pode nos deixar diversas noites pensando a respeito. Mas, por outro lado, o final é um tanto abrupto. A autora, que descreveu muitas coisas ao longo da estória, esqueceu disso no momento crucial do livro, parecendo que aquela parte final - que não posso falar do que se trata para não estragar - fosse mais simples do que o resto das coisas que os garotos fizeram até ali. Acreditem: o livro tem uma qualidade grande. Vale ressaltar que não é para qualquer um ler. Os mais caretas ou com a cabeça fechada para as idéias podem achar pavoroso, até porque o terror psicológico é maior do que o terror propriamente dito. A questão, é que possui uma essência diferente, avassoladora, cruel. É um livro que nos remete à realidade da vida. E se existe uma frase que caberia perfeitamente para descrever o livro, é aquela de um título de um filme que concorreu ao Oscar recentemente: Onde os Fracos - ou os Bons - Não Tem Vez.
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