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    O negro visto por ele mesmo - Ensaios, entrevistas e prosa

    Beatriz Nascimento

    Ubu
    2022
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788571260818
    Português Brasileiro
    4.4
    65 avaliações
    Leram81Lendo23Querem307Relendo0Abandonos2Resenhas15
    Favoritos7Desejados307Avaliaram65

    "A terra é meu quilombo. Meu espaço é meu quilombo. Onde eu estou, eu estou. Onde eu estou, eu sou." Nesta coletânea cuidadosamente organizada pelo professor da Universidade Federal de Goiás Alex Ratts, o leitor encontrará textos críticos, entrevistas e a prosa poética de Beatriz Nascimento – intelectual e ativista negra que marcou o universo artístico-cultural da diáspora africana e a história do movimento negro no cenário nacional. Neles, Beatriz tece sérias reflexões que oferecem uma imagem prismática não só da experiência íntima das pessoas negras na universidade e na cena cultural brasileira como também das representações midiáticas e historiográficas que lhes são devolvidas dia após dia por uma sociedade racista e em negação quanto ao próprio racismo. Como existir em um contexto em que a própria existência – passada, presente e futura – é cotidianamente negada? Em que consiste o esforço para estabelecer a própria imagem, reivindicar o próprio imaginário? São essas algumas das perguntas implícitas em O negro visto por ele mesmo, registro precioso sobre o que é ser negro, e se perceber negro, no Brasil. A edição também conta com prefácio de Alex Ratts, posfácio de Muniz Sodré, orelha de Renata Martins e quarta capa de Bethania Nascimento Freitas Gomes.

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    Leila De Paula picture
    Leila De Paula04/06/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Historia do Negro reescrita, dessa vez, pelo próprio negro.

    Resenhar o livro da grande Beatriz Nascimento é um desafio!!!! A obra nos traz os estudos e análises da história do negro brasileiro, pela pesquisadora, historiadora, e antes de tudo uma mulher negra. O livro é de poucas páginas, mas muito denso em informações, tem três partes, ensaios, entrevistas e prosa. A parte que gostei mais, por ser mais dinâmica foi a parte das entrevistas, mas o livro todo é muito rico. Entre as abordagens do livro, temos: A analise do racismo na mídia e o grande impacto social. "O cinema, a TV e o vídeo podem mexer com imaginário social, podem servir para reforçar imagens, assim como para mudanças [...]. O vídeo seria um elemento manipulador de opiniões, capaz de trazer modificações não só no comportamento, mas em atuações coletivas que levam a ação e transformam em mudança. [...] Beatriz Nascimento" A importância do Quilombo para a resistência do povo negro, não somente na época de Zumbi dos Palmares, mas nos dias atuais e no futuro. Pois, como bem disse Beatriz, “Quilombo pode ser um lugar onde as pessoas possam viver mais livremente. [...] Quatro ou cinco negros reunidos também formam um quilombo. Basta um negro estar com outro negro ou consigo mesmo. E, também, as vivências da própria Beatriz Nascimento, na infância, no meio acadêmico, como pesquisadora, e muito mais.

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    4.4 / 65
    • 5 estrelas49%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas8%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas2%
    Maria Beatriz do Nascimento profile picture

    Maria Beatriz do Nascimento

    Intelectual, pesquisadora e ativista, Beatriz Nascimento nasceu em Aracaju, em 12 de julho de 1942, filha da dona de casa Rubina Pereira do Nascimento e do pedreiro Francisco Xavier do Nascimento. Ela e seus dez irmãos migraram com a família para o Rio de Janeiro na década de 1950. Com 28 anos iniciou o curso de graduação em História, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), formando-se em 1971. Durante a graduação fez estágio no Arquivo Nacional com o historiador José Honório Rodrigues. Fonte: http://antigo.acordacultura.org.br/herois/heroi/mariabeatriz Formada, passaria a trabalhar como professora de História da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro, articulando ensino e pesquisa. Nessa mesma época, passaria a exercer sua militância intelectual através de temáticas e objetos ligados à história e à cultura negras. Esteve à frente da criação do Grupo de Trabalho André Rebouças, em 1974, na Universidade Federal Fluminense (UFF), compartilhando com estudantes negros universitários do Rio e de São Paulo a discussão da temática racial na academia e na educação em geral. Exemplo dessa militância intelectual foi a sua participação como conferencista na Quinzena do Negro, realizada na USP, em 1977, evento que se configurou como importante encontro de pesquisadores negros. Concluiu a Pós-graduação lato sensu em História, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em 1981, com a pesquisa “Sistemas alternativos organizados pelos negros: dos quilombos às favelas”, mas seu trabalho mais conhecido e de maior circulação foi o filme Ori (1989, 131 mim), de sua autoria, dirigido pela socióloga e cineasta Raquel Gerber. O filme, narrado pela própria Beatriz, apresenta sua trajetória pessoal como forma de abordar a comunidade negra em sua relação com o tempo, o espaço e a ancestralidade, emblematicamente representados na ideia de quilombo. Beatriz Nascimento, ao longo de vinte anos, tornou-se estudiosa das temáticas relacionadas ao racismo e aos quilombos, abordando a correlação entre corporeidade negra e espaço com as experiências diaspóricas dos africanos e descendentes em terras brasileiras, por meio das noções de “transmigração” e “transatlanticidade”. Seus artigos foram publicados em periódicos como Revista de Cultura Vozes, Estudos Afro-Asiáticos e Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, além de inúmeros artigos e entrevistas a jornais e revistas de grande circulação nacional, a exemplo do suplemento Folhetim da Folha de S. Paulo, Isto é, jornal Maioria Falante, Última Hora e a revista Manchete. Segundo Rattz, Beatriz, junto com outros pesquisadores como Eduardo Oliveira, Lélia González e Hamilton Cardoso, trabalharam para que a temática étnico-racial ganhasse visibilidade social na universidade e fortalecesse o discurso político do movimento negro. Além da militância intelectual, Beatriz era poetisa. Sua poesia traz à cena a experiência de ser mulher negra. Essa sensibilidade se traduziu em toda sua escrita. Estava fazendo mestrado em comunicação social, na UFRJ, sob orientação de Muniz Sodré, quando sua trajetória foi interrompida. Beatriz foi assassinada ao defender uma amiga de seu companheiro violento, deixando uma filha. Faleceu em 28 de janeiro de 1995 no Rio de Janeiro.

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    Sergipe, Brasil

    Maria Beatriz do Nascimento