Apesar da escrita ser boa, as descrições das cenas são muito dramáticas e exageradas. Teria sido ok para um livro de romance, mas para uma biografia, soou um tanto ridículo.
Alguns momentos podem ser comoventes, mas logo somos transportados para a realidade atual em que Harry reclama de alguma coisa não ter saído como o esperado. Percebemos que ele precisa estar no controle o tempo todo, além de sofrer de hipervigilância.
Provavelmente o mais triste é ver a relação com a falecida mãe, que envolve colocar cabelos em uma caixa ao lado da cama e tentar se comunicar com ela através de médiuns. Ainda existem algumas cenas que nos remetem ao mito de Édipo como, por exemplo, ele recebe a indicação de usar um creme Elizabeth Ardem em seu membro sexual ferido e ele se recorda que a mãe usava esse mesmo creme.
Harry claramente tem muitos problemas não resolvidos com seu passado e presente. Percebemos uma necessidade de estar sempre em pé de igualdade com o irmão William (ou Willy, como é chamado no livro), o atual herdeiro da Coroa. Apesar de ter insinuado que o irmão teria inveja dele e sua liberdade, há vários momentos em que ele demonstra invejar o patrimônio do irmão, que mora em um lindo apartamento, com obras de arte, no Palácio enquanto ele vivia em um chalé, na época de solteiro.
As partes em que ele fala sobre sua família atual — a esposa e os filhos, provavelmente são as mais leves e doces do livro. Apesar de que a Meghan desta biografia tem bem menos falas do que vemos na vida real. Em muitas das cenas, apenas os olhares e as movimentações dela são descritos.
A leitura se desenrola facilmente, mas as constantes reclamações e a ausência de momentos de aprendizados tornam o livro um tanto cansativo.