Salvo engano, Agatha Christie foi a minha primeira paixão literária, ainda na adolescência. E tudo começou com um dos romances que nem considero um dos melhores da autora: "O Natal de Poirot", numa edição de capa breguíssima do Círculo do Livro (infelizmente, acho que essa edição se perdeu. Uma pena). Dali em diante, foram livros e mais livros, até perder a conta - e se relato isso, é importante frisar que não faço isso para me vangloriar, seria uma grande bobagem. Faço isso para deixar explícito o meu fascínio e admiração pela Dama do Crime e, portanto, uma biografia dela escrita por um brasileiro, autorizada pelos descendentes da autora seria um prato cheio pra mim.
Mas não foi. E digo logo o porquê: Tito Prates não faz uma biografia de Agatha Christie, mas uma biografia da autora permeada por momentos da biografia... dele, do próprio Tito Prates! Olha, eu tenho verdadeiro pânico de largar livros logo no começo, mas não tinha lido nem 50 páginas quando me cansei do autor a todo momento se inserir na narrativa, e com algumas coisas até pedantes, do tipo "Como grande pesquisador de Agatha Christie, às pessoas vem me perguntar..." (sim, comecei a resenha deliberadamente lançando mão de recurso similar. Mas, como disse, foi deliberado: isso é uma resenha, não um livro).
Ora, com todo respeito, mas comprei o livro para saber da vida da escritora! Procurando aqui no Skoob, vi que em 2016 Tito lançou, pela editora Illuminare, uma "outra" biografia da autora, chamada "Agatha Christie from my heart". Não sei quem decidiu, nesta nova edição da Avec, mexer no título - se o próprio autor ou o editor - mas me parece uma ideia duplamente ruim: Primeiro, porque gera confusão. Em termos de conteúdo, as publicações da Illuminare e da Avec são exatamente iguais? A diferença de número de páginas é só questão de formatação? E, segundo: o título original (sim, minha aposta é de que se trata do mesmo livro), com seu "From my Heart", deixava evidente que era um relato personalista, um "Agatha Christie & Eu". E não haveria problema nenhum se fosse! Só indicaria, de antemão aos leitores o que esperar. Há quem goste - mesmo eu poderia gostar, se estivesse preparado para tanto. O ruim é ir esperando uma coisa e encontrar outra.
Por fim, em paralelo há um outro problema: o título antecipa que se trata de uma "biografia de verdades". E já nas primeiras páginas Prates "desmente" várias afirmações (e informações) circulantes sobre a escritora. O problema? Tito Prates nem sempre indica as fontes que embasam suas afirmativas tão categóricas. Aí o leitor fica sem saber para onde correr: quem está certo?
Enfim... Queria, mas não rolou. Um dia tento de novo.