Neste primeiro livro do ano, já comecei muito bem. Ano passado, já tinha iniciado com o livro anterior do mesmo autor e fiz questão de manter a tradição, abrindo o ano com sua nova obra, recebida como cortesia no final de dezembro. Gostei bastante dos conceitos apresentados, que utilizam de termos não fictícios como "precito" e "exício" para explorar seus significados na trama, amplicando o vocabulário. No caso, "exício" é a sensação de sentir a proximidade da morte e é essa a habilidade da protagonista Liliana, uma jovem órfã que foi criada pelos tios, mas era considerada por eles uma amaldiçoada, porque sobreviveu a um acidente na infância que matou sua mãe. A única coisa que Liliana se lembra é do sorriso de sua mãe após vê-la viva no acidente.
Lilly sonha com mortes brutais e descobre que elas são reais. Quando uma de suas amigas da escola também é assassinada, ela resolve investigar, juntamente com sua namorada Mia e encontra Lucas, o protagonista de Precito, o livro anterior, que tem a habilidade de ver através dos olhos de quem vai morrer. Com a ajuda do rapaz, Lilly vai descobrir mais sobre si mesma, seu passado e suas habilidades.
O livro tem uma temática intrigante, que usa muito simbolismo, com metáforas sobre borboletas e libélulas para explicar ao leitor como funcionam os poderes dos personagens. A forma como o autor criou esse universo complexo e suas explicações consiste de um ponto bem positivo pois mostra o quanto ele domina sua arte de escrever. O livro peca apenas por perder o ritmo da metade para a frente, pois mostra a solução de um problema e, a partir daí, a história fica girando em torno das relações da protagonista, tornando-se um pouco lenta. Mas nos capítulos finais, recupera o pique e termina de forma empolgante. No geral, eu gostei bastante e considero um excelente começo para as leituras de 2023.