As terras de Arkandur formam o último continente, o único lugar onde a humanidade perseverou e vive em paz com os sábios conhecidos como magos. No entanto, tudo muda quando rituais necromânticos começam a espalhar caos e horror pelos Três Grandes Reinos. Os reis, receosos e pressionados por seus conselheiros, decidem assinar a lei que proíbe permanentemente a prática de magia. Os magos passam a ser caçados não somente pelas tropas reais, mas também pela sombria cavalaria da Justiça Armada Noturna, cujas espadas são tão gélidas quanto suas almas. Porém, dentre os poucos sobreviventes, surge Barton: um bardo capaz de tornar os sons do mundo em sua fonte de magia. Atormentado após presenciar o assassinato da esposa, o bardo vê um novo destino à sua frente quando um velho amigo o recruta para uma perigosa jornada, e juntos partem em busca da verdade por trás da sombra nefasta que devora o mundo. Atendendo ao chamado, o músico compreende a vida como uma melodia, mas inúmeros segredos estão guardados ao longo das escalas musicais que ele terá de desvendar, onde cada nota poderá surgir como um aliado... ou um algoz. Uma canção em que deuses e demônios ditam as regras, e humanos e magos chamam para si o direito de reescrevê-las.
O Mestre Das Cordas -
Philippe Alencar
Edições (2)
Ver maisA magia da música
O continente de Arkandur é formado por três reinos: Tenemus, Dragoria e Asakura. A magia é algo comum para o povo de lá, pois sempre existiram magos entre os humanos, que eram admirados e alguns até mesmo aconselhavam os reis. Até que começam a acontecer rituais necromânticos e a população culpa a todos, já que ninguém consegue encontrar o responsável. Dessa forma, a magia passa a ser proibida e os magos são caçados e mortos. Pouquíssimos conseguem sobreviver aos espectros macabros que os perseguem e aos caçadores em busca de recompensas por suas cabeças. "— Viver não é somente comer, sentir, respirar — retomou o xamã. — É olhar para a face da morte, saber que ela existe, mas que ainda não está na hora de abraçá-la. Pelo simples fato de que ainda há muito mais coisas para ver, emoções para sentir, comidas para comer... — Sons para ouvir... — Acho que você finalmente entendeu — respondeu o xamã, olhando fundo nos olhos do bardo. — Nossos espíritos não estão prontos até que tenham aprendido tudo o que devem aprender. Só então poderemos abraçar a morte e deixar nossos corpos. E pior do que um espírito ceifado antes da hora, é um espírito que ainda não encontrou a morte, mas mesmo assim já a aceitou." Aldesfer, Irvin e Barton são três amigos que resistiram a todas as dificuldades. Aldesfer é um velho mago capaz de manipular o fogo. Ele conseguiu algumas informações que o levam a crer que há uma força muito poderosa por trás desses recentes acontecimentos de magia negra. Os três precisam encontrar a fonte do poder e destruí-la antes que seja tarde demais. Irvin, um druida que está sempre em harmonia com a natureza, já tem algumas ideias de por onde começar. Mas Barton, um bardo que já foi muito famoso tocando em grandes eventos e tabernas, está um tanto cético em relação a essa história toda. "Quando se falava sobre a vida, os mais sábios humanos afirmavam que mais importante era o trajeto, não o destino final. Mas, se não houvesse um objetivo almejado, mesmo o trajeto tornar-se-ia insípido. E o único destino de tudo o que é vivo é a morte. Tire a finitude da humanidade, e ela perderá seu propósito." O maior problema, para Barton, é que o embasamento desse plano está numa antiga religião, que já foi mais popular no continente. Ele não tem fé em deuses, salvadores ou senhores do inferno, então não acha plausível a hipótese que Aldesfer está levantando. Apesar disso, se dispõe a colaborar e, quem sabe assim, encontrar uma maneira de ajudar o mundo a ser como era antes da lei anti-magia. "Cabe ao sábio, porém, assimilar as próprias falhas, compreendê-las, para poder agir diferentemente. Não é o conhecimento intrínseco que faz de alguém um sábio, mas sua capacidade de ser honesto para consigo mesmo; tornar este hábito em um método para evoluir, e assim cometer menos erros." Assim, os amigos partem em uma aventura mais perigosa do que imaginavam, encontrando pessoas dispostas a ajudar e inimigos poderosíssimos, enquanto descobrem segredos tão antigos quanto os deuses, que envolvem histórias sobre guerras e demônios, revelando mistérios tão bem guardados em suas almas, que nem a memória é capaz de reconhecer. "Erros sempre serão cometidos, mas a ampulheta não faz subir a areia que já caiu. Somos nós que a colocamos de ponta-cabeça, para que só então o grão possa cair de novo. O que está por vir sempre é porta nova e pode ser aberta com mais sabedoria do que a anterior. Sempre." Barton é o protagonista da história, apesar de conhecermos vários outros personagens que tem um papel bem significativo no desenvolvimento, principalmente Irvin e Aldesfer. O bardo, que era conhecido como o Mestre das Cordas é um mago jovem e muito talentoso. Com a perseguição à magia, perdeu muito mais do que a fama, o que o tornou um homem amargo. Sempre levou a lógica e a ciência muito a sério, por isso duvida inicialmente da ideia do amigo. Aldesfer é um mago experiente, forte e explosivo. Deseja que os magos não sejam condenados injustamente e possam ser livres outra vez. Irvin vive em paz em seu esconderijo na floresta, mas sabe que não pode ficar isolado pelo resto da vida e sente falta dos amigos. Ele é calmo, sábio e protege a natureza a qualquer custo. Apesar do motivo que os uniu, os três estão felizes por estarem juntos novamente. Ao longo do livro também conhecemos Hayato, o mago samurai; Helene, uma ladina habilidosa; e Galzur, um fortíssimo guerreiro de uma tribo de nômades. Cada um tem suas próprias histórias, segredos e desejos, e foram tão bem desenvolvidos quanto os outros personagens. A narrativa é em terceira pessoa e é dividida entre os pontos de vista de cada personagem, então podemos conhecê-los melhor aos poucos e acompanhar suas aventuras até se reunirem. A escrita do autor é impecável e suas descrições são perfeitas. Ele conseguia retratar os acontecimentos e locais de tal forma que facilmente as imagens se formavam em minha mente. "Se música não é magia, então não sei o que pode ser." O enredo é incrível! A história foi muito bem construída. O autor soube ir soltando as informações ao longo de todo o livro e quando as peças começam a finalmente se encaixar, o resultado é surpreendente. Nada do que está escrito é pura bobagem, mesmo os capítulos que parecem apenas historinhas escondem segredos por trás e são essenciais para o desfecho. O tempo inteiro o autor faz analogias com a música e achei bem bonito. Acredito que quem entenda de música irá adorar essas partes. Esses dois pontos me lembraram O Nome do Vento, que é o livro de fantasia que mais amo, então foram pontos positivos para minha avaliação. 😃 Outra coisa que me agradou muito é que não é aquele tipo de livro sanguinário, apesar do autor não economizar em batalhas e mortes. Tem muita ação e luta, mas sem precisar de sangue jorrando para todos os lados, e eu prefiro quando é assim. Diferente de como costuma acontecer com livros desse gênero, esse volume é único, e não uma série. Como amante de sagas, acho que seria ótimo se houvesse uma sequência, mas essa história e os personagens foram tão bem desenvolvidos que não fiquei decepcionada. Comecei a ler com altas expectativas e fico feliz em dizer que foram superadas! A capa ficou linda e combina totalmente com o enredo. Esse livro foi adaptado de sessões de RPG que o Philippe mestrou e eu achei isso muito interessante! Algumas vezes eu até conseguia visualizar os dados rolando durante as batalhas! hahaha O autor arrasou com seu livro de estreia, a história é maravilhosa! Se você curte fantasia, histórias medievais, RPG e/ou música, esse livro é para você! "— O medo que as pessoas sentem sobre o que os outros pensam delas pode acabar se tornando uma escura prisão. Homens e mulheres que vivem nos sonhos daquilo que poderiam fazer, mas nunca fazem coisa alguma. Têm medo demais. Não vivem — o xamã esperou um instante, dando tempo suficiente para o bardo refletir sobre aquilo. — Pouco importa se eu lhe tomo por tolo ou não. Nunca deixe de fazer algo pelo julgamento de um ou de outro."
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