Um tratado que demonstra os nuances mais fundamentais da economia. Rothbard escreve primorosamente, tornando a leitura fluída, mesmo com assuntos mais complexos e que exigem mais atenção, como a precificação de fatores e de bens. Rothbard inicia sua jornada através da fundamentação do mais básico conceito econômico, a praxeologia, do qual se deriva 11 capítulos dedicados a ação individual num mercado sem intervenções mais um capítulo, sendo este a economia violenta, da qual a intervenção estatal é analisada minuciosamente. Embora sua edição posterior, Governo e Mercado, aprofunde ainda mais os conceitos do capítulo 12, sua análise ainda se torna muito precisa e importante pra refletir a dicotomia da ação deliberada num cenário sem intervenção pra ação baseada na coerção de um mercado interventor.
A fundamentação do axioma auto evidente da ação humana, de que todo homem age propositadamente, de forma teleológica, definindo fins através de objetivos e meios para alcançar tais fins pode, no princípio soar, de certa forma, um truísmo. Mas isso é falso. Toda lógica fundamentalmente racional precisa que suas proposições valide suas conclusões, e que essa formalidade fundamente tudo aquilo que o autor busca afirmar através da conclusão de seus argumentos. Através da ideia originada por Mises, Rothbard estrutura sua obra, abordando desde o conceito básico e fundamental da ação humana, do regime de ação autístico, englobando após, os padrões de trocas. Estruturados entre a troca direta (o escambo primitivo) e a troca indireta (a economia monetária), Rothbard destrincha diversos conceitos fundamentais da economia e responde a diversas questões que os clássicos e neoclássicos levaram anos pra responder. Sua estrutura marginalista da ação humana baseada nas obras fundamentais dos Austríacos como Menger e Mises, nos conceitua as teorias e leis das trocas voluntárias. Sua análise minuciosa das teorias do capital, sua estrutura ordenadora e da formação de preços baseada nas obras de Hayek e Böhm-Bahwerk, nos traz elucidações fundamentais sobre a dinâmica econômica da sociedade. Seu conceito de custo de oportunidade derivado de Wieser nos traz implicações cruciais para a análise das ações. Tudo baseado fundamentalmente no conceito da preferência temporal, do valor subjetivo e da tomada de decisão individual. Destrinchando mitos, como o preço objetivo neoclássico dos bens e a função de consumo keynesiano, Rothbard traz uma roupagem totalmente austríaca e realista. Uma obra que deve ser lida por todos aqueles que desejem se aprofundar na economia.