O Espelho Índio - Os jesuítas e a destruição da alma indígena

    Roberto Gambini

    Espeço e Tempo
    1988
    222 páginas
    7h 24m
    ISBN-10: 8585114371
    Português Brasileiro

    A experiência como psicoterapeuta nos ensina que o entendimento global do conflito atual do indivíduo só se faz com a compreensão de seu passado. Assim também ocorre com a nossa atual crise social, em especial o conflito indígena; só podemos entendê-lo e fazer face a ele dentro de uma perspectiva histórica. Além disso, o problema psicológico ligado à estruturação do inconsciente coletivo brasileiro, suas imagens e representações arquetípicas, com a enorme influência que estes valores exercem na organização da personalidade de cada um de nós. A abordagem de Roberto Gambini é nova e estimulante. Sendo ele analista junguiano, é também sociólogo, o que lhe permite um amplo leque na conceituação deste complexo problema histórico-social-psicológico. Assim, nos oferece uma interpretação do problema do índio partindo da psicologia de Jung – com uma elaboração do conceito de projeção e do arquétipo da Anima – e de uma visão histórica interessantíssima: a leitura crítica das cartas jesuítas do início do período colonial. Estas cartas formam o substrato do conflito cultural que persiste até a atualidade: a imposição dos valores de uma cultura, a europeia, sobre a outra, a indígena; imposição baseada na noção de que só os valores da primeira são válidos. [Walter Boechat]

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    Maria Aparecida 29/03/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Este livro aborda o fenômeno da projeção sobre o prisma da psicologia junguiana, ao examinar do ponto de vista da psicologia analítica, como a abordagem junguiana sobre o fenômeno da projeção pode ajudar a compreender algumas situações históricas. É analisado o contato entre jesuítas missionários e os nativos no período do “descobrimento do Brasil”, por meio das cartas jesuíticas (1549-1563), de modo que o autor tenta “falar um pouco em nome dos índios” (p.68). Primeiramente é discorrido sobre o fenômeno de projeção a partir de uma visão patológica de acordo com Freud, em seguida é explicado pela ótica de Jung. O livro trata na “Parte II” diretamente sobre as cartas jesuíticas e a missão no Brasil, com destaque para o autorretrato dos jesuítas, como o retrato dos índios foi traçado pelos jesuítas, descritos como seres maléficos, além de como essas características dos nativos descreviam um reino das trevas, de modo que necessitava dessa intervenção para a conversão das almas.

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