O Jung é um psicólogo deslocado da sua época, extremamente materialista, que reduz a ciência ao útil —algo não estranho para nós, do século XXI — que trabalha questões soterradas por uma racionalização desastrosa.
A forma como analisa as camadas mais profundas da psique, resgatando os aspectos simbólicos presentes na alquimia, nos sonhos, na fantasia, nos mitos, causa assombro frente à superficialidade do cientificismo que impera na atualidade.
Essa obra da Marie-Louise von Franz, da @editoracultrix , traz à luz a figura do Jung como um mestre que se maravilha com o processo do autoconhecimento, que o conecta ao sentido mais autêntico e profundo da existência.
“A base e a substância de toda a vida e obra de Jung não residem nas tradições e religiões que se tornaram conteúdos da consciência coletiva, mas antes, na experiência primordial que constitui fonte última desses conteúdos: o encontro do indivíduo com o seu próprio deus ou daimon, a batalha com as emoções, afetos, fantasias, inspirações criadoras e obstáculos poderosíssimos que vêm à luz a partir de dentro.”
Muito bem escrita e com uma capacidade assustadora de escrever de modo ordinário sobre as coisas extraordinárias, a autora nos apresenta, como na passagem acima, o mundo sombrio e luminoso da interioridade junguiana, por meio do qual nos faz compreender a nossa caleidoscópica vida interior.