A Porta Estreita (Ficção Traduzida) -

    André Gide

    Cavalo de Ferro
    2022
    172 páginas
    5h 44m
    ISBN-13: 9789895649280
    Português

    Romance curto, publicado originalmente em 1909, A Porta Estreita é o primeiro grande êxito literário do Prémio Nobel André Gide e uma das obras mais representativas da literatura francesa. Jérôme é um jovem parisiense que passa os meses de férias na casa de campo do tio, na Normandia. Num desses verões em que o mundo inteiro parecia impregnado de azul, Jérôme apaixona-se por Alissa, sua prima mais velha. O amor de ambos, constrangido por uma educação religiosa puritana, é sublimado com as leituras que partilham, as cartas que escrevem um ao outro e a resolução que tomam em conjunto: entrar pela porta estreita. Contudo, assombrada pelas palavras do Evangelho, Alissa vai-se convencendo de que esse amor terreno os condenará à perdição e o único caminho que vislumbra diante de si é o da renúncia, do sacrifício e da abnegação. Um romance de formação e do desencontro amoroso, por via da sublimação dos sentimentos, que inaugura uma temática presente no resto da obra do autor: o conflito entre ética e instinto, a revolta contra a hipocrisia católico-burguesa, a exploração dos espaços secretos do Eu. Os elogios da crítica: «A arte de Gide estabelece um compromisso entre o risco e a regra […] Este jogo de equilíbrio está na origem do serviço inestimável que Gide prestou à literatura contemporânea.» — Jean-Paul Sartre «O mais moderno dos clássicos.» — Le Magazine Littéraire

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover

    Similares (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (2)Ver mais
    Kiki Marino picture
    Kiki Marino14/11/2021Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    "Esforcem-se para entrar pela porta estreita, porque eu lhes digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Lucas 13:24. Este é primeira obra de Gide que leio e por isto minha leitura foi sem expectativa e até distraída, por uns momentos cheguei compreender as nuances teológicas/psicanalítica desta estória, mas logo me distraia novamente com a ambiguidade e profundidade semântica da narrativa. Na segunda leitura consegui apreciar esse "enfadonho nada" que a primeira vista parece ser a obra,descrita como de um "amor trágico " que desde as primeiras páginas já se adivinha um desfecho infeliz , como uma breve e dolorosa despedida. Jerome e Alissa tem uma estranha e incerta relação de amor que se inicia na infância, do qual a influência de acontecimentos,comportamento e religiosidade dos adultos, afetam a realização deste amor platônico e espiritual para o carnal e sacramental na vida adulta. Especialmente Alissa, uma heroína complexa, talvez inspirada em santa "Teresa de Ávila", com uma fé histérica que se martiriza e auto sacrifica entre a duvida e a obediência religiosa/fanática, entre o amor à Deus e amor mundano que Jerome oferece, levando a desgastes físicos e psíquicos. O que a levou a este caminho de isolamento de amigos,família, amor e recusa da felicidade? Me surpreendeu o conflito teológico apresentado aqui, com a repressão sexual e moral que envolve as mulheres desta época, do qual se auto reprovam e condenam a si e outras. Também do crescente asceticismo de Alissa em contraste com a perda da fé de Jerome e sua vivência fora do alcance religioso que outrora qo ligava à ela, os distanciando em definitivo . Durante a leitura consegui lembrar de um conto de Bunin " Cleansing Morning", que também envolve uma enigmática e pensativa jovem que renúncia aos prazeres do mundo para renascer na fé ,mas num diferente contexto da Rússia. Enfim é sobre decisões cruciais ,que certo ou errado, um enfrenta na vida adulta ,em busca da identidade e liberdade individual, embora ilusório, seja qual for a consequências se vai até ao fim, com o risco de perder não só a alma como a vida.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.4 / 14
    • 5 estrelas14%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas36%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas0%