Vai, Brasil -

    Alexandra Lucas Coelho

    Tinta-da-China
    2013
    328 páginas
    10h 56m
    ISBN-13: 9789896711849
    Português

    «Tece‑se aqui uma trama onde se constata que o presente e o passado estão presentes no futuro, assim como o futuro está contido no passado — e se pergunta se esses tempos conseguirão em alguma medida liberar‑se uns dos outros, o passado deixando de condenar o futuro a uma eterna repetição, o futuro escolhendo de qual dos seus passados servir‑se para reinventar‑se. Essa é a pergunta presente que o Brasil se faz. ALC a recoloca, aqui, com a devida complexidade.» — Francisco Bosco «Português a falar brasileiro não tem jeito, mesmo quando tem. Mas o que não tem jeito mesmo é perder tempo a não ser entendido. Não vou subir a favela e dizer sítio quando posso dizer lugar, ou apelido quando posso dizer sobrenome, ou alcunha quando posso dizer apelido, ou apanhar o autocarro quando posso pegar o ônibus. Português a falar brasileiro nem é jeito de dizer, porque português e brasileiro falam sempre português, em toda a sua mestiça extensão. Nenhuma outra língua é tão falada no hemisfério sul. Finco os pés onde estou para a usar. Se não me esqueço de quem sou, porque terei medo do que serei? Muito do que hoje é brasileiro foi português antigo que Portugal perdeu, cardápio reduzido, falta de apetite. E eles continuam a vir, dietistas, higienistas, fiscais de contas, reduzindo a língua a um quartinho, e de colarinho: não respire, não respire. Ave a poesia, cheia de fome, Herberto Helder mais jovem que nunca, comendo a língua com travesti brasileiro e tudo.» — Alexandra Lucas Coelho

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    Biblioteca Pública Municipal Álvaro Guerra01/06/2026Resenhou um livro

    " Nada há de habitual na profundidade com que Alexandra desbrava o território continental do Brasil, do Oiapoque ao Chuí, como se diz por aqui, ou ao menos de Porto Alegre a Manaus; nem na disposição intelectual com que encara nossos grandes teóricos, escritores e poetas; nem tampouco na sua entrega de corpo e alma aos ritos, práticas e festas brasileiros. É ainda mais notável o seu método: do desfile em uma escola de samba ao transe coletivo de um terreiro de umbanda, do funk no Buraco Quente ao pato ao tucupi, Alexandra aborda tudo com espírito e sentidos abertos, sem preconceitos de qualquer natureza. A esse método de conhecimento, podemos chamar de amoroso, como o fez Nietzsche. —Francisco Bosco, Prefácio "Português a falar brasileiro não tem jeito, mesmo quando tem. Mas o que não tem jeito mesmo é perder tempo a não ser entendido. Não vou subir a favela e dizer sítio quando posso dizer lugar, ou apelido quando posso dizer sobrenome, ou alcunha quando posso dizer apelido, ou apanhar o autocarro quando posso pegar o ônibus. Português a falar brasileiro nem é jeito de dizer, porque português e brasileiro falam sempre português, em toda a sua mestiça extensão. Nenhuma outra língua é tão falada no hemisfério sul. Finco os pés onde estou para a usar. Se não me esqueço de quem sou, porque terei medo do que serei? Muito do que hoje é brasileiro foi português antigo que Portugal perdeu, cardápio reduzido, falta de apetite. E eles continuam a vir, dietistas, higienistas, fiscais de contas, reduzindo a língua a um quartinho, e de colarinho: não respire, não respire. Ave a poesia, cheia de fome, Herberto Helder mais jovem que nunca, comendo a língua com travesti brasileiro e tudo." Amazon.

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