«Tece‑se aqui uma trama onde se constata que o presente e o passado estão presentes no futuro, assim como o futuro está contido no passado — e se pergunta se esses tempos conseguirão em alguma medida liberar‑se uns dos outros, o passado deixando de condenar o futuro a uma eterna repetição, o futuro escolhendo de qual dos seus passados servir‑se para reinventar‑se. Essa é a pergunta presente que o Brasil se faz. ALC a recoloca, aqui, com a devida complexidade.» — Francisco Bosco «Português a falar brasileiro não tem jeito, mesmo quando tem. Mas o que não tem jeito mesmo é perder tempo a não ser entendido. Não vou subir a favela e dizer sítio quando posso dizer lugar, ou apelido quando posso dizer sobrenome, ou alcunha quando posso dizer apelido, ou apanhar o autocarro quando posso pegar o ônibus. Português a falar brasileiro nem é jeito de dizer, porque português e brasileiro falam sempre português, em toda a sua mestiça extensão. Nenhuma outra língua é tão falada no hemisfério sul. Finco os pés onde estou para a usar. Se não me esqueço de quem sou, porque terei medo do que serei? Muito do que hoje é brasileiro foi português antigo que Portugal perdeu, cardápio reduzido, falta de apetite. E eles continuam a vir, dietistas, higienistas, fiscais de contas, reduzindo a língua a um quartinho, e de colarinho: não respire, não respire. Ave a poesia, cheia de fome, Herberto Helder mais jovem que nunca, comendo a língua com travesti brasileiro e tudo.» — Alexandra Lucas Coelho
Vai, Brasil -
Alexandra Lucas Coelho
Tinta-da-China
2013
328 páginas
10h 56m
ISBN-13: 9789896711849
Português
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