A ideia de dar vida ao Teo e ao Gael através da escrita surgiu em um momento conturbado, em meados de 2019, quando eu me encontrava dividido entre a rotina de professor e a conclusão de um mestrado, lidando com prazos, pressões e muita, mas muita sobrecarga e ansiedade. Em meio ao caos, durante uma sessão de terapia, fui recomendado a escrever um diário de bordo, mas acabei confessando que escrever estava sendo uma tortura naquele momento, em grande parte pela pressão da pesquisa científica, tanto no mestrado quanto no trabalho. Devido a isso, eu queria experimentar coisas novas, que não tivessem relação com a escrita.
Os dias foram passando e algo ficou martelando na minha cabeça. Às vezes, dizer as coisas em voz alta nos faz tomar consciência e refletir, e o fato de eu ter me ouvido dizer que escrever havia se tornado uma tortura me fez entender que eu não poderia permitir que algo que eu amo virasse um peso.
Fazia algum tempo desde que eu tinha me aventurado em escrever histórias de ficção. Antes do mestrado, cheguei a esboçar um romance, que não foi concluído e acabou sendo engavetado para que eu pudesse focar em demandas do trabalho e na pesquisa da dissertação. Contudo, entre maio e junho de 2019, resolvi me desafiar a escrever um conto, a fim de me desligar brevemente das obrigações e experimentar algo diferente. Foi assim que nasceu Quando Tudo Começou a Mudar, o primeiro conto com a história do Teo e do Gael, dois jovens adultos frustrados com o amor, mas que se encontram ao acaso, se apaixonam e passam a explorar a dinâmica do início de um relacionamento.
O conto saiu de forma independente em formato digital, no Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ (28/06) daquele ano e, para a minha surpresa, houve uma repercussão que eu não esperava. A partir daí, pessoas começaram a notar o meu trabalho, páginas de literatura passaram a falar sobre o conto, leitores me seguiam nas redes sociais, me mandavam opiniões positivas sobre a leitura e pediam por uma continuação. Assim, a história acabou virando uma duologia e, em fevereiro de 2020, a sequência Depois Que Tudo Mudou também saiu de forma independente.
Com o lançamento dos contos, minha carreira como escritor começou a acontecer. Passei a trabalhar em novas histórias e as lancei de forma independente posteriormente, participei de antologias com outros autores, mas havia uma inquietação em querer voltar para a história do Teo e do Gael, até que, em junho de 2021, quando a Editora Caligari publicou o edital do I Prêmio Caligari LGBTQIA+, vi uma possibilidade de transformar os contos em um romance e publicá-lo em livro físico. Então, preparei o texto seguindo as orientações do edital e enviei no prazo indicado, sem grandes expectativas. Para a minha surpresa, quando o resultado foi divulgado, em setembro de 2021, minha história ficou em 3º lugar e, assim, a Editora Caligari abriu suas portas para acolher o Teo e o Gael.
Ao longo de três anos, vivi uma verdadeira jornada proporcionada por essa história. Sou muito grato a tudo o que ela me trouxe e ainda proporciona, desde experiências, aprendizados e amadurecimento, até encontros com pessoas incríveis.
A você, leitor, que logo mais estará com o meu livro em mãos, saiba que você faz parte dessa trajetória. Muito obrigado por acreditar em mim, por me dar uma chance como escritor e contribuir com a realização do meu maior sonho.