A Dama do LAgo (Circo de Letras #12) -

    Raymond Chandler

    Brasiliense
    1984
    211 páginas
    7h 2m
    ISBN-10: 8511230122
    Português Brasileiro

    O detetive Philip Marlowe é contratado por um executivo do ramo dos perfumes para investigar o desaparecimento de sua impulsiva mulher, Crystal Kingsley. As pistas o levam a Bay City; em seguida, à cidade de veraneio de Puma Point. E logo o colocam no rastro de outra misteriosa mulher, Muriel Chess, também desaparecida, cuja fuga de casa pode estar ligada não só ao sumiço de Crystal, como a um caso muito mais intrincado, envolvendo médicos inescrupulosos e policiais corruptos. Escrito durante a Segunda Guerra Mundial, A dama do lago é um livro marcante de Raymond Chandler, com sua ironia e seus personagens não só memoráveis, mas de uma complexidade pouco vista na literatura policial.

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    Joaquim Coelho21/03/2026Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    "Os assuntos da polícia são um problema dos diabos. Assim como a política. Exige o mais elevado tipo de homem, e não há nada nela que atraia o mais elevado tipo de homem."

    Ironia, sistema corrupto, cigarro e jazz no ar. Este não é o trabalho mais inspirado de Chandler. Diferente de Farewell, My Lovely, que parecia mais interessado na estética do que numa narrativa propriamente lógica, este livro se atém mais à cartilha do romance policial tradicional: crime, investigação e solução com reviravolta nas últimas páginas. No início, fiquei um pouco desapontado, pois esperava uma prosa no mesmo nível de Farewell. Aqui, ela me pareceu mais seca e objetiva. Talvez parte disso também se deva à tradução. Pelo que pesquisei, o livro é uma mistura de três histórias pulp que Chandler havia escrito para revistas. O autor pegou três narrativas completamente diferentes e tentou costurá-las em um romance único, e isso é perceptível: o caso é complexo, cheio de tangentes, e por vezes me deixou desorientado. Em alguns momentos, cheguei a duvidar que Chandler seria capaz de amarrar tudo o que estava sendo apresentado. Para minha surpresa, no entanto, tudo acaba fazendo sentido, ainda que algumas soluções sejam mirabolantes e o detetive pareça mais supor o que aconteceu do que propriamente provar. A conclusão do caso é repleta de hipóteses e “e ses”, e o leitor precisa simplesmente aceitá-los como verdade. Dito isso, não consegui prever as reviravoltas de forma alguma. Terminei o último capítulo de queixo caído. E, no geral, me vi bastante entretido ao longo da leitura. Philip Marlowe tem um senso de humor maravilhoso. A trama não seria a mesma sem seus deboches e sacadas. É isso que mais brilha aqui. Além, claro, das inúmeras críticas sociais às instituições públicas e das reflexões acerca da moralidade e da natureza humana.

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