Uaauuu que conto.
Foi um dos melhores contos que já li. Recebi uma recomendação de um ex professor de filosofia, e sinceramente estava precisando ler algo no cunho mais existencial.
Autor Herman Melville escreveu o conto em 1853, sendo publicado pela primeira vez em uma coleção de coletanias de contos em 1856.
Esse é um daqueles livros curtos, mas que deixam a gente pensando por um bom tempo. A história gira em torno de Bartleby, um escrivão contratado por um advogado de Wall Street. No início, ele parece um funcionário exemplar, mas logo começa a se recusar a fazer o trabalho com a icônica frase: "Prefiro não". E é só isso. Ele não briga, não discute, só... se recusa.
O narrador, que é o chefe dele, fica intrigado (e talvez um pouco obcecado) tentando entender o motivo. O problema é que Bartleby simplesmente não explica nada, o que torna tudo ainda mais frustrante e curioso.
Esse livro pode ser lido de várias maneiras: como uma crítica ao trabalho burocrático, uma reflexão sobre alienação ou até um estudo sobre a apatia humana. O fato é que Melville cria um personagem enigmático que nos faz questionar o que significa realmente viver e trabalhar.
Vale a pena ler? Com certeza. Só esteja preparado para terminar a última página e ficar se perguntando: Mas o que diabos aconteceu com esse cara?
“– Você poderia me contar qualquer coisa a seu respeito?’
– prefiro não.”
Repetida mais de 20 vezes, a frase "prefiro não” é uma espécie de leitmotiv, ou fio condutor, da obra-prima de Melville.
A escrita de Melville é marcada por uma combinação de humor sutil e profundidade filosófica. A repetição da frase "Acho melhor não" serve como um leitmotiv que reforça a resistência passiva de Bartleby e provoca reflexões sobre conformidade e individualidade. A obra influenciou diversos autores e é frequentemente associada ao existencialismo e ao absurdismo, dialogando com escritores como Franz Kafka e Albert Camus.
----------------- QUOTES -----------
Introduzo esta novela com uma confissão: mal quebramos a primeira linha e, até aqui, procrastinei feito o diabo. Pensando bem, nada mais humano do que a procrastinação. Pensando melhor, nada mais demonizado também. Ninguém se atreve a elogiá-la, já que quem procrastina não produz, mas também não descansa. Em uma sociedade que propaga a sentença “trabalhe enquanto eles dormem”, não há vilã mais perversa e sedutora, capaz de distrair sua vítima enquanto rouba, com a mão leve de um batedor de carteiras, o que ela tem de mais valioso. Afinal, “tempo é dinheiro”, mais uma sentença à qual fomos todos condenados.
sou um homem que, desde a juventude, carrega uma convicção profunda de que o modo de vida mais fácil é também o melhor.
Pensando bem, nada mais humano do que a procrastinação. Pensando melhor, nada mais demonizado também. Ninguém se atreve a elogiá-la, já que quem procrastina não produz, mas também não descansa.
Em uma sociedade que propaga a sentença “trabalhe enquanto eles dormem”, não há vilã mais perversa e sedutora, capaz de distrair sua vítima enquanto rouba, com a mão leve de um batedor de carteiras, o que ela tem de mais valioso. Afinal, “tempo é dinheiro”, mais uma sentença à qual fomos todos condenados.
Nada incomoda tanto uma pessoa sincera quanto a resistência passiva. Se o indivíduo em questão não possui um temperamento desumano, e aquele que resiste é totalmente inofensivo em sua passividade, então o primeiro se esforçará para resolver em sua imaginação o que não é possível através do juízo.
mesmo, Ah, a alegria corteja a luz, e pensamos que o mundo é feliz; mas a tristeza se esconde, distante, e achamos que não há infelicidade.
Para um ser sensível, a piedade muitas vezes vira dor. E quando, enfim, percebe-se que tal piedade não pode levar a uma melhoria eficaz, o senso comum faz com que a alma se livre dela. O que vi naquela manhã me convenceu de que o escrivão era vítima de uma enfermidade inata e incurável. Poderia oferecer esmolas ao seu corpo, mas ele não sente dor ali; é a sua alma que sofre, e essa eu não conseguia alcançar.
Bartleby, ao organizar cartas que nunca foram entregues, é um gerente de frustrações.
Com o trabalho ocupando uma parcela cada vez maior da vida do indivíduo, assim que fica perceptível que o emprego é absurdo em sua inutilidade, o vazio de sentido se adensa e se dissemina. E, sem uma existência significativa, logo esse vazio tipicamente capitalista coloniza todas as outras áreas da vida. E aí que surge e se espalha — com a agressividade de um câncer metastático — a depressão.