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    Bartleby, o escrivão -

    Herman Melville

    Antofágica
    2023
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9786586490787
    Português Brasileiro
    4.1
    1190 avaliações
    Leram1521Lendo34Querem685Relendo2Abandonos6Resenhas272
    Favoritos86Desejados685Avaliaram1190

    Eu poderia te contar sobre Bartleby, mas prefiro não fazer. Anti-herói dos tempos modernos, o comportamento de Bartleby provoca reações de repulsa, ira e indignação – não por aquilo que faz, mas pelo que se recusa a fazer. Bartleby não gosta de trabalhar: não toma café ou se obriga a ser produtivo. Mas tampouco gosta de sair para se divertir – não bebe cerveja ou puxa assunto com quem quer que seja. Também não se volta para o divino ou transcendente, já que não nutre qualquer crença religiosa. Bartleby é, acima de tudo, um homem de aspecto terrivelmente sedado. Publicado em 1853, Bartleby – uma história de Wall Street é uma obra breve de repercussão retumbante. Através da melancolia paralisante de Bartleby, Herman Melville tece uma densa crítica à desumanização dos modos de produção vigentes. Desconectado de tudo o que é humano, Bartleby tem como única missão na vida copiar mecanicamente e sem erros documentos que servem apenas para multiplicar a riqueza alheia. O cotidiano banal e a condenação do ócio figuram entre as críticas mais relevantes na obra. A edição da Antofágica foi integralmente datilografada à mão por Letícia Lopes, que realizou intervenções artísticas que refletem o trabalho monótono e repetitivo do copista. O multi artista Nuno Ramos coloca-se de frente à parede de tijolos para escrever seu posfácio, e José Garcez Ghirardi nos conduz para o exterior da repartição para melhor compreender esse autor que dominou das formas breves às mais extensas. Antônio Xerxenesky, tradutor deste volume, escreve um texto a respeito de Bartleby enquanto alegoria para uma sociedade adoecida pelo trabalho. A apresentação – útil na sua inutilidade – é de Manuela Cantuária, roteirista e escritora.

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    Resenhas (272)Ver mais
    Michelly Sano picture
    Michelly Sano12/07/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Bartleby, a arte do não.

    Uaauuu que conto. Foi um dos melhores contos que já li. Recebi uma recomendação de um ex professor de filosofia, e sinceramente estava precisando ler algo no cunho mais existencial. Autor Herman Melville escreveu o conto em 1853, sendo publicado pela primeira vez em uma coleção de coletanias de contos em 1856. Esse é um daqueles livros curtos, mas que deixam a gente pensando por um bom tempo. A história gira em torno de Bartleby, um escrivão contratado por um advogado de Wall Street. No início, ele parece um funcionário exemplar, mas logo começa a se recusar a fazer o trabalho com a icônica frase: "Prefiro não". E é só isso. Ele não briga, não discute, só... se recusa. O narrador, que é o chefe dele, fica intrigado (e talvez um pouco obcecado) tentando entender o motivo. O problema é que Bartleby simplesmente não explica nada, o que torna tudo ainda mais frustrante e curioso. Esse livro pode ser lido de várias maneiras: como uma crítica ao trabalho burocrático, uma reflexão sobre alienação ou até um estudo sobre a apatia humana. O fato é que Melville cria um personagem enigmático que nos faz questionar o que significa realmente viver e trabalhar. Vale a pena ler? Com certeza. Só esteja preparado para terminar a última página e ficar se perguntando: Mas o que diabos aconteceu com esse cara? “– Você poderia me contar qualquer coisa a seu respeito?’ – prefiro não.” Repetida mais de 20 vezes, a frase "prefiro não” é uma espécie de leitmotiv, ou fio condutor, da obra-prima de Melville. A escrita de Melville é marcada por uma combinação de humor sutil e profundidade filosófica. A repetição da frase "Acho melhor não" serve como um leitmotiv que reforça a resistência passiva de Bartleby e provoca reflexões sobre conformidade e individualidade. A obra influenciou diversos autores e é frequentemente associada ao existencialismo e ao absurdismo, dialogando com escritores como Franz Kafka e Albert Camus. ----------------- QUOTES ----------- Introduzo esta novela com uma confissão: mal quebramos a primeira linha e, até aqui, procrastinei feito o diabo. Pensando bem, nada mais humano do que a procrastinação. Pensando melhor, nada mais demonizado também. Ninguém se atreve a elogiá-la, já que quem procrastina não produz, mas também não descansa. Em uma sociedade que propaga a sentença “trabalhe enquanto eles dormem”, não há vilã mais perversa e sedutora, capaz de distrair sua vítima enquanto rouba, com a mão leve de um batedor de carteiras, o que ela tem de mais valioso. Afinal, “tempo é dinheiro”, mais uma sentença à qual fomos todos condenados. sou um homem que, desde a juventude, carrega uma convicção profunda de que o modo de vida mais fácil é também o melhor. Pensando bem, nada mais humano do que a procrastinação. Pensando melhor, nada mais demonizado também. Ninguém se atreve a elogiá-la, já que quem procrastina não produz, mas também não descansa. Em uma sociedade que propaga a sentença “trabalhe enquanto eles dormem”, não há vilã mais perversa e sedutora, capaz de distrair sua vítima enquanto rouba, com a mão leve de um batedor de carteiras, o que ela tem de mais valioso. Afinal, “tempo é dinheiro”, mais uma sentença à qual fomos todos condenados. Nada incomoda tanto uma pessoa sincera quanto a resistência passiva. Se o indivíduo em questão não possui um temperamento desumano, e aquele que resiste é totalmente inofensivo em sua passividade, então o primeiro se esforçará para resolver em sua imaginação o que não é possível através do juízo. mesmo, Ah, a alegria corteja a luz, e pensamos que o mundo é feliz; mas a tristeza se esconde, distante, e achamos que não há infelicidade. Para um ser sensível, a piedade muitas vezes vira dor. E quando, enfim, percebe-se que tal piedade não pode levar a uma melhoria eficaz, o senso comum faz com que a alma se livre dela. O que vi naquela manhã me convenceu de que o escrivão era vítima de uma enfermidade inata e incurável. Poderia oferecer esmolas ao seu corpo, mas ele não sente dor ali; é a sua alma que sofre, e essa eu não conseguia alcançar. Bartleby, ao organizar cartas que nunca foram entregues, é um gerente de frustrações. Com o trabalho ocupando uma parcela cada vez maior da vida do indivíduo, assim que fica perceptível que o emprego é absurdo em sua inutilidade, o vazio de sentido se adensa e se dissemina. E, sem uma existência significativa, logo esse vazio tipicamente capitalista coloniza todas as outras áreas da vida. E aí que surge e se espalha — com a agressividade de um câncer metastático — a depressão.

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    Herman Melville

    Herman Melville foi um escritor, poeta e ensaísta estadunidense. Embora tenha obtido grande sucesso no início de sua carreira, sua popularidade foi decaindo ao longo dos anos. Faleceu quase completamente esquecido, sem conhecer o sucesso que sua mais importante obra, o romance Moby Dick, alcançaria no século XX. O livro, dividido em três volumes, foi publicado em 1851 com o título de A baleia e não obteve sucesso de crítica, tendo sido considerado o principal motivo para o declínio da carreira do autor.

    109 Livros
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    Nova Iorque, Estados Unidos

    Herman Melville