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    Os Heróis (Cultura) -

    Thomas Carlyle

    Edições Melhoramentos
    1962
    234 páginas
    7h 48m
    ISBN-13: 0000000000000
    Português Brasileiro
    3.9
    9 avaliações
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    Favoritos0Desejados3Avaliaram9

    Foi no ano de 1841, quando tinha 46 anos de idade, que Thomas Carlyle reuniu em um volume intitulado "OS HERÓIS", as conferências que fez em Londres, desde 1837 e que se referiam a algumas grandes figuras da história antiga e moderna. Quando começou suas conferências, Carlyle acabava de publicar sua "História da Revolução Francesa". Mas ainda não conseguira atingir a glória literária; então foi compelido a fazer conferências para manter-se e à sua esposa. Se Carlyle escolhia temas relativos aos heróis para essas conferências, era porque a devoção que êle tinha por esse tipo de personagem derivava da sua própria filosofia. Ainda adolescente, Carlyle afastou-se do calvinismo escocês no qual fôra educado. Durante muitos anos procurava o elemento espiritual que fosse capaz de o impedir de se tornar ateu. Estudando os filósofos alemães, acabou por adotar o ponto de vista de J. G. Fichte (1762-1814) que admitia a existência de uma "Idéia Divina" dominando o universo visível... Para a massa dos homens, essa "Idéia Divina" permanece oculta; mas o resultado de cada esforço espiritual acabava sempre por descobri-la". Para Carlyle os heróis antigos e modernos eram inspirados pela "Idéia Divina" de Fichte. Carlyle afirmou então que o conhecimento da história do mundo resulta do estudo da vida dêsses heróis. Essa foi a principal inspiração de suas conferências. Como escreveu H. Taine, "quaisquer que fossem os poetas, reformadores, escritores, homens de ação, profetas, a todos concedia um caráter místico". Essa escolha idealista faz de Carlyle um adversário das tendências políticas e sociais em moda no século XIX. Era homem de idéias muito avançadas, pois previu já então a época em que os patrões, que êle assimilava a um dos tipos de heróis, viriam a pensar que é "possível e necessário conceder a seus empregados um interêsse permanente nas suas empresas". Como escreveu Rui Barbosa em "Francia e Rosas", Carlyle "não era um coração árido... era uma alma heróica e chamejante das paixões mais generosas, uma virtude de adamantina integridade, um gênio suscetível de todas as grandes emoções da eloqüência e da poesia". Contudo, Carlyle que insistia tanto sobre a necessidade de um governo de heróis, nunca chegou a explicar claramente como esses heróis deviam ser escolhidos. Para êle o governo por meio do herói era mais uma convicção religiosa do que um principio politico; literalmente, era adoração do que o homem tem de divino. A tal respeito, Rui Barbosa escreveu que "o resultado final, porém, é a divinização da energia triunfante, èsse culto dos heróis, que inspirou a Carlyle o mais notório dos seus livros". Carlyle acreditava que o homem bom, com inteligência superior à dos outros homens, era predestinado a se tornar um herói. Foi por isso que êle brandiu a tocha do idealismo em um século materialista; atacava sem descanso as injustiças sociais. Mas o que êle não previu foi a ameaça que um absolutista dotado de poder total poderia representar. Edições Melhoramentos ÍNDICE - Primeira conferência: O herói como divindade. Odin. Paganismo. Mitologia escandinava. - Segunda conferência: O herói como profeta. Maomé: Islam - Terceira conferência: O herói como poeta. Dante; Shakespeare - Quarta conferência: O herói como sacerdote. Lutero: Reforma; Knox: Puritanismo - Quinta conferência: O herói como homem de letras, Johnson; Rousseau; Burns - Sexta conferência: O herói como rei, Cromwell; Napoleão: Revolucionarismo moderno

    Edições (2)

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    Joachin Azevedo picture
    Joachin Azevedo01/12/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Avaliando a trajetória de profetas, entidades míticas, intelectuais e políticos, o historiador Thomas Carlyle teceu, nessas conferências escritas no século XIX, comentários pertinentes e atuais sobre a relação entre poder, atuação política e saber. Acho particularmente belo o trecho do livro sobre os hérois literários silenciosos. O héroi como homem de letras fala e silencia como um antigo héroi, no vestuário de um homem de letras muito moderno. Para Carlyle (1963, p. 153), “o pior elemento na vida destes hérois literários foi que encontraram, quanto à sua profissão e à sua posição, um grande caos. Na estrada trilhada pode-se viajar razoavelmente; mas é trabalho penoso, onde muitos tem de perecer, abrir caminho através do intransponível”

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