Eu amo as histórias que se passam em cidade pequena. Amo mais ainda quando elas envolvem a rivalidade entre duas delas. Os habitantes de Shipwreck e Sarcasm se odeiam mais do que tudo, e isso envolve apoiar seus negócios locais, sua cultura e seus moradores enquanto desprezam os vizinhos da outra cidade. Annika e Grady cresceram cada um em um desses municípios, e mesmo assim cultivaram uma amizade durante anos, que acabou com corações partidos e uma separação que durou dez anos. Até Annika retornar para Sarcasm e montar uma confeitaria... enquanto Grady já era o feliz dono de uma confeitaria em Shipwreck. Quando nenhuma das duas famílias consegue entender o significado de limites (nem de fronteiras), a rivalidade das cidades passa a ser também a de seus negócios, mas tudo o que Grady e Annika querem é encontrar um caminho de volta um para o outro.
Divertido, como é o estilo de Pippa Grant, seria algo até redundante de se dizer. Pippa é uma escritora que gosta de comédia em sua obra, seja no todo, seja em partes, assim como também o traço da criatividade é uma de suas melhores armas. Ela tem um senso de humor universal que traz um sabor único a suas histórias. De volta ao ambiente de Shipwreck, mesmo cidade onde se passa Flertando com o inimigo, não teria como se negar a gostosura que é esse município. O romance tinha tudo para ser uma perfeição... se não fosse a construção da personagem Annika.
Ela é sempre pintada como a coitadinha, quando Grady é o único que corre atrás desse relacionamento. Ambos têm seus motivos para a separação, mas os dele foram bem mais fortes. Annika, dez anos atrás, havia feito uma escolha consciente de fugir de seus sentimentos e ainda assim culpa Grady por isso. Ele faz absolutamente tudo por ela, e ela fica chateada com coisas que não fazem o menor sentido. Annika é uma covarde nessa relação, e Grady é um sonho de consumo, que só poderia ter saído das páginas de um romance. Ele amava tanto annika que eu tinha vontade de chorar, porque ela podia ser apaixonada por ele, mas não o amava na mesma intensidade, e isso era frustrante. Eu amo quando o mocinho é até mais apaixonado que a mocinha, porém essa foi uma situação desproporcional a ponto da família dele sempre achar que era ele que fazia merda, e ele acreditava nisso.
E falando de Grady, meu Deus, ele era divertido, fofo, e confeitava enquanto seduzia os doces. A relação com Sue, seu bode de estimação, era uma graça, tal qual o seu jeitinho especial de conviver com sua família não muito ajuizada. Grady é a grande estrela de Mestre confeiteiro (não é à toa que ele vem no título). Assim como suas receitas, ele foi feito para ser desejado, e honestamente, ELE NUNCA ERROU EM NADA. E mesmo não errando ainda fazia de tudo para colocar Annika em primeiro lugar a ponto de sacrificar seus próprios sonhos.
P.S.1: se você for fã de doces, fica o aviso de que a cada nova ideia de receita que surgia eu ficava com uma enorme vontade de comer. Deveria surgir um livro com elas!!!! Esse é um excelente romance para se ler enquanto se belisca uns docinhos.
P.S.2: O ROUBO DA RECEITA DO PUDIM DE BANANA NÃO ERA PARA TER PERDÃO. O PUDIM DE BANANA É CULTURAL #timeshipwreck