Enfim, Nana Komatsu vê um de seus sonhos começando a se tornar realidade… Seu namorado, Shoji, lhe envia uma mensagem dizendo que conseguiu passar no vestibular, e logo estará cursando a tão sonhada Faculdade de Artes. É hora, então, de arrumar as malas, comprar uma passagem só de ida e embarcar rumo a Tóquio! Com apenas um maço de cigarros e sua guitarra como bagagem, Nana Oosaki compra sua passagem, só de ida, para a capital do Japão. Lá, a garota descolada espera conseguir alcançar um de seus sonhos: o sucesso em sua carreira. Ambas se encontram no trem em direção à capital e conversam muito, mas ao chegarem a seu destino, cada uma toma seu caminho. No entanto, o destino trata de juntar as duas novamente… No apartamento 707 do 7º andar, Nana Oosaki e Nana Komatsu estão prestes a começar a busca por seus sonhos.
Nana #02 (Nana #02) -
Ai Yazawa
“A Agridoce Nostalgia das Lembranças de Nana K.”
“Você se lembra, Nana... quando estávamos juntas, na beira do rio, éramos como faíscas de luz dançando na superfície da água?! Virei-me para cantar aquela melodia que você sempre cantarolava nessa hora.” Finalmente as duas Nanas estão se conhecendo e vão dividir o mesmo apartamento. Nana K. simplesmente sentiu uma grande paixão por Nana O. e tornou-se muito dedicada a ela. Cada capítulo é escrito a partir do ponto de vista da Komatsu, relembrando seu relacionamento com Osaki – quase como um diário. Esse tipo de narrativa mantém tudo interessante me fazendo perguntar onde elas estão agora. É difícil escrever sobre ‘Nana’ sem sentir que não estou fazendo justiça; isso é mais do que uma mera história de duas melhores amigas envolvidas em romances. As Nanas realmente exemplificam uma bela dualidade, a dificuldade entre equilibrar o amor verdadeiro e uma carreira apaixonada. E, além disso, a história é muito realista, com ambas as Nanas buscando a realização, sejam através de relacionamentos românticos ou de sucesso profissional, e as suas tentativas de estabelecer suas próprias versões de felicidade e lugar no mundo, por mais transitórias ou equivocadas que sejam que por sua vez são comoventes e frustrantes. Há uma sensação constante de algo não realizado, de um anseio agridoce que cria uma sensação de nostalgia; isso reflete muito bem o deslocamento daquele período de transição dos vinte e poucos anos, quando você não é mais uma criança, mas ainda não entendeu toda essa questão de vida adulta. Exatamente por isso considero o tom narrativo no volume 2 consideravelmente mais melancólico, nostálgico, de modo tal que posso sentir a solidão da Komatsu. Ter a sensação de que estamos lendo um diário de confidências não é algo aleatório. Acredito que Yazawa fez isso de maneira intencional. E os relacionamentos ficam mais tensos à medida que aumentam os enganos e as confusões, justamente porque a mangaká brilhantemente desenvolve personagens complexos que se enrolam em suas próprias teias de emoções, lidando com vários conflitos dos quais não estavam preparados. São jovens adultos que mal abandonaram a adolescência. Escrever sobre amizade entre mulheres requer uma sagacidade muito própria e um conhecimento ímpar sobre o mundo feminino. Yazawa o faz de maneira sublime. A mangaká traçou uma relação comovente entre as duas protagonistas apresentando uma exploração complexa da amizade feminina em seus vários matizes – às vezes protetora e devotada, às vezes ciumenta e possessiva, às vezes distante e arrependida. Da mesma forma, há um reconhecimento das falhas em cada personagem e em cada relacionamento, dando a narrativa uma pincelada de escuridão que desmente suas armadilhas modernas de que a vida é um eterno conto de fadas. A arte de Yazawa é facilmente elogiável. Seu fascínio pela moda fica claro em suas figuras magras e de pernas compridas e na menção casual a marcas de estilistas famosos. Então, além de ser uma história extremamente envolvente, ‘Nana’ é um luxo visual absoluto, completo com olhos expressivos e piercings faciais transpirando beleza e elegância. Mesmo com toda a introspecção e crítica social, ‘Nana’ também pode ser divertida, alegre e deliciosamente dramática. E a música, parte importante da história, é um verdadeiro deleite, me transportando imediatamente para o mundo tumultuado de um show de punk rock em um local underground e sujo. Esse mangá tem uma daquelas histórias que ficará para sempre comigo. 🇯🇵🥀✨🥺📖🕰⌛️
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