Encarando as ciências como produtos da pesquisa, e esta como uma modalidade de produção de novos conhecimentos científicos, pode-se reconstituir a trajetória histórica de ambas através da análise de acervos documentais abrangentes, que obviamente não se resumem apenas aos trabalhos científicos elaborados pelos próprios pesquisadores. Esses trabalhos, na verdade, constituem tão somente uma “ponta do iceberg” – isto é, a parte mais visível de um processo bem mais amplo e mais profundo. Trata-se de um processo sujeito à interação de vários tipos de fatores, desde os de natureza cognitiva (epistemológicos e metodológicos) até os de caráter político e administrativo, todos os detentores de uma importância específica. O processo em questão é tornado inteligível por este livro, voltado para o estudo de um período crucial da história da Antropologia no Brasil, com base na documentação remanescente do antigo Conselho de fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas no Brasil. Este foi um órgão do governo federal que funcionou ativa e intensamente entre 1933 e 1968, autorizando e supervisionando os trabalhos de campo dos pesquisadores estrangeiros que aqui vieram estudar nossos grupos indígenas. Figuram nos seus arquivos dossiês de brasilianistas como Charles Wagley, e de grandes expoentes da Etnologia, como Claude Lévi-Staruss e Curt Nimuendajú, cujas atividades na época são devidamente acompanhadas e analisadas, configurando uma obra de referência sobre as mesmas, e sobre o próprio desenvolvimento recente da disciplina.
Coleções e expedições vigiadas - os etnólogos no conselho de fiscalização das expedições artísticas e científicas no Brasil
Luís Donisete Benzi Grupioni
Hucitec/Anpocs
1998
341 páginas
11h 22m
ISBN-10: 8527104670
Português Brasileiro
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