O autor é contraditório: chama os esquerdistas de histéricos mas defende os próprios princípios com histeria; é favorável ao diálogo e diz que não suporta falar com os esquerdistas, todos, sem exceção, patifes. Fala que a imprensa é um antro de comunistas onde não há espaço para ele; no entanto, as 616 páginas do livro são transcrições de artigos escritos pelo injustiçado Olavo de Carvalho em jornais e revistas brasileiros como o Globo, Folha de São Paulo, Época etc.
O livro abriga uma coleção de chavões, algo que o autor também abomina. Em suma, tudo aquilo que lhe causa repulsa é encontrado nessa obra.
Para o autor, a nossa juventude é imbecil e a cultura brasileira é uma farsa comprometida com um certo globalismo.
Para cúmulo do absurdo, diz ser contra as bolsas governamentais porque a classe média perdeu a oportunidade de ser caridosa, de conversar com os mendigos, perguntar pela família e outras preciosidades. Acha que vivemos uma ditadura comunista e que o governo dos EUA é socialista.
Dos instrumentos da sociedade, a escola, o professor, o intelectual e a universidade são atacados histericamente.
O autor, como um Dom Quixote mal intencionado, combate inimigos imaginários. Os seus moinhos-de-vento preferidos são os gays reunidos num movimento chamado por ele de gayzismo, o petismo, o feminismo e o governo de Obama.
Estilisticamente, é um livro pesado, grosseiro, sem espírito. As poucas metáforas são de péssimo gosto e o abuso de adjetivações, um abuso. Se retirarmos os adjetivos desnecessários do livro, este perderá boa porcentagem de sua espessura. Se, mais rigorosos, subtrairmos os solecismos e concordâncias estranhas, adeus, livro...