Estilo Barbie: Construindo Bonecas Humanas -

    Cristiane Zovin

    Haikai Editora
    2021
    137 páginas
    4h 34m
    ISBN-13: 9786589795100
    Português Brasileiro

    Na inquietação dos tempos modernos, acentua-se o foco na superficialidade, bem como na substituibilidade das pessoas. Por outro lado, suas emoções são muitas vezes negligenciadas e elas são avaliadas com base principalmente na aparência física e na capacidade de seguir as tendências da moda contemporânea. Isso pode causar um desequilíbrio que resulta em sintomas de Transtorno Dismórfico Corporal, uma condição comum, embora, infelizmente, subnotificada. Se não reconhecido, esse transtorno pode levar a transtornos mais graves, como transtorno de adaptação, transtorno de personalidade ou depressão. Em seu livro “Estilo Barbie: Construindo Bonecas Humanas”, Cristiane Zovin discute o conceito de idealização da beleza feminina e investiga a relação entre os ideais de beleza feminina exigidos pela mídia. Livros como este são de tamanha importância, para que as pessoas conheçam o assunto, do qual raramente se fala. Cristiane Zovin, Doutora e Mestre em Comunicação (Unip), Psicopedagoga e Psicoterapeuta Junguiana (IJEP), é também especialista em Propaganda & Marketing pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero e graduada em Publicidade & Propaganda pela mesma instituição.

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    Ana Luísa picture
    Ana Luísa01/02/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    We aren't a Barbie Girl

    A Barbie foi, inicialmente, uma emancipação no mundo dos brinquedos, as meninas não precisavam ser mães, mas sim idealizar o seu futuro jovem e adulto. Mas, foi justamente isso a raiz do problema da boneca plástica com seios: O futuro idealizado desta geração de meninas era loiro, magro e plástico. O livro aborda a maneira que o simbólico da Barbie, enquanto reprodução de uma mulher, leva a bonequização, mulheres buscando reproduzir esta boneca. E está busca jamaia se cessa, o ideal Barbie é irreal e artificial, tal qual seu material: plástico. "Que mulher conseguiria se manter em pé com 1.83 cm, 99 cm de busto, 46 cm de cintura e 84 cm de quadris?". A essa configuração, acrescentamos parcos 49 quilos-os quais fundamentam a possibilidade anoréxica." A obra se divide em três partes: a primeira se dedica à bonequização da mulher, que introduz a boneca Barbie e seu impacto na infância, além de contar a história das perturbadoras Barbies Humanas (uma delas faz hipnoterapia para ser burra como uma boneca!!). Já a segunda parte, se dedica à representação e construção do 'ser mulher' na mídia, faz-se uma panorama histórico da idade média ao que a autora chama de idade mídia. Por fim, a terceira aborda implicações psicológicas deste ideal de beleza inalcançável, onde a consumidora é mero objeto a ser manipulado. A leitura oferece um panorama bem interessante do impacto da Barbie nas mais diversas gerações e idades, justamente por ser uma boneca, pois ela não envelhece com atrizes e modelos famosas que foram símbolos de seu tempo. Aborda também aspectos históricos relacionados à construção da beleza feminina, sobretudo no papel das roupas que foram substituídas pela pele: O que era um padrão meramente externo ao corpo, se torna o próprio corpo. Achei o livro bem sucinto e didático, a linguagem é simples e fomenta reflexões muito relevantes para os ideias que, mesmo inconscientemente, estão nas nossas mentes e nos opressionam a ser algo plástico, isto é, um padrão não-humano. A Barbie pode lançar quantas versões for, independente do formato do corpo ou tipo de cabelo elas sempre terão uma beleza impecável, sendo mera manutenção de um sistema estético opressor. Todas as mulheres que cresceram com Barbies ao seu redor deveriam ler este livro.

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