O filho eterno -

    Cristovão Tezza

    Editora Record
    2023
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9786555876499
    Português Brasileiro

    <b>Vencedor dos principais prêmios literários do país, <i>O filho eterno</i> ganha edição especial com novo projeto gráfico e prefácio do escritor Sérgio Rodrigues.</b> Em <i>O filho eterno</i>, romance de Cristovão Tezza, o nascimento de uma criança com síndrome de Down coincide com o momento de ruptura na vida dos pais. Um filho desejado, mas diferente: nas palavras do pai, na tímida tentativa de explicar para os conhecidos, nos primeiros meses, uma criança com “um pequeno problema”. De início, tudo é estranhamento, e o pai assume que a urgência não é resolver o tal problema do menino ― haveria algo a ser resolvido? ―, mas o espaço que o filho ocupará, para sempre, na vida do casal. Tezza expõe as dificuldades, inúmeras, e as saborosas pequenas vitórias de criar um filho com síndrome de Down. O périplo por clínicas e consultórios médicos em uma época em que o assunto não era tão estudado, ainda envolto por certo grau de misticismo, e a tensa relação inicial com a mulher. “Numa das crises, ela lhe diz, no desespero do choro alto: Eu acabei com a tua vida. E ele não respondeu, como se concordasse ― a mão que estendeu aos cabelos dela consolava o sofrimento, não a verdade dos fatos.” Com o passar do tempo e uma série de pequenas conquistas ― os primeiros passos, a ida à escola ―, o pequeno Felipe vai conquistando o seu lugar de filho. O pai supera a fase de negação e já não vê mais a condição do primogênito como uma espécie de “maldição inesperada”, enxergando-o como um indivíduo único, que necessita de amor e cuidado. O autor aproveita as questões que apareceram pelo caminho desde o nascimento de Felipe para reordenar a própria história: a experimentação da vida em comunidade quando adolescente, a vida como ilegal na Alemanha para ganhar dinheiro, as dificuldades de escritor com trinta e poucos anos e alguns livros na gaveta, e a pretensa estabilidade como professor em universidade pública. O livro obteve enorme sucesso de público e de crítica: ganhou os mais importantes prêmios literários brasileiros e já foi traduzido em uma dezena de países. Recebeu na França o prêmio Charles Brisset, de melhor livro do ano, e, em 2011, foi um dos dez finalistas do prestigiado prêmio IMPAC-Dublin de obras publicadas em língua inglesa. Foi adaptado para o cinema em 2016, com direção de Paulo Machline. E teve premiada adaptação para o teatro no Brasil, pela Companhia Atores de Laura (várias cidades, 2011-2020), e outras montagens na Argentina (Buenos Aires, 2018-2019) e em Portugal (várias cidades, 2022-2023). Corajoso e emocionante, <i>O filho eterno</i> reforça o lugar de Cristovão Tezza entre os maiores escritores brasileiros.

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    Clio17/01/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O Filho Eterno me chegou às mãos por indicação, ou melhor dizendo, por premiação do Jabuti que até hoje ainda não me decepcionou. Em pouco mais de duzentas páginas, Tezza se expõe confessando os sentimentos, falhas e decepções ao receber seu primeiro filho ao mundo, Felipe, uma criança com Síndrome de Down. Não é um texto focado na neurodivergência que é um assunto já exposto em vários outros títulos para crianças e adolescentes. Nessa obra, o autor realiza um expurgo da própria alma no que poderia ter sido mais um caso de "órfão de pai de vivo" que para quem não conhece a expressão, refere-se a crianças abandonadas pelo pai - algo infelizmente extremamente comum em crianças com necessidades especiais. Sem meias palavras, Tezza revela o ódio, a dor e o egoísmo que o levam primeiramente a pensar no alívio de uma possível morte do filho até a sanha pelo reconhecimento alheio de seu "autossacrifício". Xom essa exibição nua do caráter humano, o autor compartilha seus anos de vida com Felipe e não oferece nada além do amor da convivência, nenhuma tentativa de expiação pelos próprios sentimentos. É tocante, triste e realistíco. Recomendo.

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