Um defeito de cor (eBook) - Edição especial

    Ana Maria Gonçalves

    Record
    2022
    1285 páginas
    1d 18h 50m
    ISBN-13: 9786555876154
    Português Brasileiro

    Nova edição do clássico contemporâneo, Um defeito de cor marca o encontro de duas das mais aclamadas mulheres negras do mundo das artes: a escritora Ana Maria Gonçalves e a artista visual Rosana Paulino Vencedor do prestigioso Prêmio Casa de las Américas e incluído na lista da Folha de S.Paulo como o sétimo entre 200 livros mais importantes para entender o Brasil em seus 200 anos de independência, Um defeito de cor conta a saga de Kehinde, mulher negra que, aos oito anos, é sequestrada no Reino do Daomé, atual Benin, e trazida para ser escravizada na Ilha de Itaparica, na Bahia. No livro, Kehinde narra em detalhes a sua captura, a vida como escravizada, os seus amores, as desilusões, os sofrimentos, as viagens em busca de um de seus filhos e de sua religiosidade. Além disso, mostra como conseguiu a sua carta de alforria e, na volta para a África, tornou-se uma empresária bem-sucedida, apesar de todos os percalços e aventuras pelos quais passou. A personagem foi inspirada em Luísa Mahin, que teria sido mãe do poeta Luís Gama e participado da célebre Revolta dos Malês, movimento liderado por escravizados muçulmanos a favor da Abolição. Esta edição especial, em novo projeto gráfico, inclui obras de Rosana Paulino – artista visual que participou da Bienal de Veneza e tem obras expostas nos principais museus do mundo, como o Metropolitan, de Nova York, e a Fundação Calouste Gulbenkian, de Lisboa – e o conto afrofuturista inédito "Ancestars", a primeira narrativa de Ana Maria Gonçalves publicada desde o lançamento de Um defeito de cor. O texto de orelha é assinado pela premiada escritora Cidinha da Silva. Pautado em intensa pesquisa documental, Um defeito de cor é um retrato original e pungente da exploração e da luta de africanos na diáspora e de seus descendentes, durante oito décadas da formação da sociedade brasileira. O livro inspirou, em 2022, uma exposição homônima no Museu de Arte do Rio (MAR), com curadoria de Amanda Bonan, Marcelo Campos e da própria Ana Maria Gonçalves. "Um defeito de cor, da Ana Maria Gonçalves, é um [livro] que precisa ser colocado nas escolas. Ele me transformou." - Fábio Porchat "Escrito pela mineira Ana Maria Gonçalves, a obra, de leitura voraz, prende a atenção do leitor da primeira à última página." - Glamurama "Nesse livro, Ana Maria Gonçalves produz um corte plurissignificativo nos protocolos de representação do negro e da negrura na sociedade e na literatura brasileiras.." - Leda Maria Martins, pesquisadora, ensaísta e professora aposentada da UFMG "Romance histórico da diáspora negra do Brasil. Apresenta-se como contraponto ao apagamento da história do povo negro. Primeiro épico antiescravagista da literatura brasileira." - Luiz Fernando Carvalho, diretor de cinema e TV "Com uma perspectiva feminina e moderna sobre um fenômeno que determina a vida brasileira até os dias de hoje, é um livro essencial para a compreensão do país." - Noemi Jaffe, escritora, professora e crítica literária

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    Bookster Pedro Pacifico picture
    Bookster Pedro Pacifico16/11/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves

    Sabe aquela leitura que você mal começa e já quer sair indicando? Então, com “Um defeito de cor” foi bem assim. Levei mais de 2 meses para ler as quase mil páginas e fiquei esse tempo todo ansioso para poder fazer essa resenha para vocês e recomendar a leitura! O livro é uma verdadeira aula sobre a formação da sociedade brasileira e sua estreita relação com o triste processo de escravidão que marcou o nosso país. Acompanhamos a história de Kehinde, uma garota nascida no começo do século XIX em Savalu (atual Benin). Depois de vivenciar tragédias em sua família, acaba sendo capturada e transportada para o Brasil, uma terra totalmente desconhecida, com o objetivo de ser vendida para algum senhor de engenho. E a autora detalha todo esse traumático episódio, narrando as condições desumanas que os futuros escravizados sofriam nas embarcações e na chegada ao país. No Brasil, Kehinde será batizada e receberá o nome de Luisa, já que os colonizadores simplesmente ignoravam a cultura e tradições dos povos capturados no continente africano. Kehinde, no entanto, se recusa - da forma que pode - a esquecer seu passado. São muitas as dificuldades vividas por uma criança sozinha em um país desconhecido. A narrativa faz um mergulho tão profundo na vida de Kehinde que fica impossível a tarefa de contar sobre a sua trajetória em uma resenha. Por isso, o importante é compartilhar o que aprendi. Aprendi sobre a origem de diversos elementos que compõem a cultura brasileira. Entendi o lento processo que culminou na abolição da escravidão no país, ao mesmo tempo que me revoltei muito pelo sofrimento a que os escravizados eram submetidos. Há passagens que demandam uma pausa, tamanha a crueldade do colonizador. Também é muito interessante a construção da personagem principal. Ana Maria não pretende criar uma heroína, mas sim uma mulher real, que luta para sobreviver e proteger quem ama, mas que não deixa de apresentar defeitos e tomar atitudes com base apenas na emoção. Esse é um livro que merece ser lido por todos. Não sei como ainda não foi traduzido para outros idiomas, já que é um retrato riquíssimo da história do nosso país. Nota 10/10

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