Demorei a amar os trágicos gregos; minha opinião sobre eles na faculdade era que eram superestimados.
Após mais de 20 anos li "Êumenides" de Ésquilo. Foi uma revelação (ou apenas eu tinha chegado ao momento certo para apreciar). O mito do nascimento da Justiça com a deusa Athena em papel de destaque me conquistou. Depois parti para as outras peças - Agamêmnon, que é perfeita, e Coéforas, nem tanto, mas ainda impressionante; e descobri que Ésquilo parece literariamente uma força da natureza: grandioso, poderoso, monumental. Sófocles e Eurípides podem ser bons - o primeiro até consegue a perfeição em "Édipo Rei", sem dúvida! - mas ler Ésquilo será sempre, para mim, como ser testemunha de uma tempestade, um vendaval, um furacão; é a Beleza em estado bruto, sem que outra palava me ocorra senão dizer de novo: monumental.