Comer Animais -

    Jonathan Safran Foer

    Rocco Digital
    2021
    327 páginas
    10h 54m
    ISBN-10: B094JVFDFJ
    Português Brasileiro

    Em seu primeiro livro de não ficção, Comer animais, Jonathan Safran Foer, autor do premiado Tudo se ilumina, publicado pela Rocco, mergulha no mundo da chamada pecuária industrial nos Estados Unidos – a criação intensiva de aves, porcos e bois –, assim como na pesca em larga escala e suas implicações para o meio ambiente. Após três anos de pesquisas, o resultado é um panorama assustador. Para que, levando em conta a inflação, a proteína animal custe hoje mais barato do que em qualquer outro momento da história americana, animais são submetidos a maus-tratos e abatidos para o consumo deformados e doentes; há pouco ou nenhum escrutínio público e supervisão eficiente por parte das autoridades sanitárias; rios e cursos d'água subterrâneos são poluídos por excrementos e dejetos da produção, com os custos, no sentido mais amplo da palavra, repassados à sociedade; e os ecossistemas do planeta correm risco de colapso em um futuro não tão distante. Vegetariano esporádico, Safran Foer começou a pensar mais seriamente em suas opções alimentares quando seu filho mais velho nasceu. A preocupação com a origem da carne e a forma como é processada o levou a investigar a indústria alimentícia e, apoiado em estatísticas do governo americano e em fontes acadêmicas e industriais, ele teve a oportunidade de ouvir insiders do negócio, cientistas, membros de entidades defensoras dos direitos dos animais, chegando até mesmo a invadir uma granja e a testemunhar as terríveis condições do local. Safran Foer propõe um debate ético sobre o consumo alimentar dos animais. Ele defende o vegetarianismo como uma opção mais sensata de pecuária e um onivorismo mais honrado, que traga benefícios para o meio ambiente. O escritor também advoga um retorno ao antigos métodos de criação, menos traumatizantes para os bichos e para os ecossistemas, a imagem da fazenda bucólica tão associada aos valores americanos e que, hoje, representa apenas 1% de toda a produção nos Estados Unidos. Em última análise, Safran Foer pede aos leitores que ponderem sobre a decisão moral de comer outro ser vivo e que, se necessário fazê-lo, lutem por mudanças que permitam aos animais serem tratados com compaixão e dignidade, de forma que mesmo o abate seja feito de maneira que provoque o mínimo de sofrimento possível a aves, porcos e bois.

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    INGRID MAYARA ALLEBRANDT28/02/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Quanto sofrimento você vai tolerar em sua comida?

    O início do livro já chamou a minha atenção por ser escrito em primeira pessoa. O autor começa contando recordações de sua avó e depois vai comentando sobre seus anseios de ser pai. Entre uma lembrança e outra, ele comenta acerca de momentos que se reuniu com familiares/amigos e faz reflexões do quão importante é a alimentação para as relações humanas. Aos poucos, ele nos leva a conhecer pessoas que trabalham com criação de animais (nesse caso, pequenos produtores). Algumas dessas pessoas, inclusive, denominam-se veganas. São empreendedores que se dizem preocupados com o bem-estar animal, e por isso suas práticas são uma alternativa a quem não pretende contribuir com a exploração da indústria da carne. Além disso, o autor apresenta relatos sobre a indústria da carne que poucas pessoas conhecem, sempre lembrando o quanto o ato de comer carne é cruel com os animais e prejudicial ao meio ambiente. O autor me levou a reflexões a partir de questionamentos como: - E se a própria pessoa criar e matar um animal para se alimentar dele, ao invés de já comprá-lo morto? - Por que temos diferentes hábitos de alimentação para cada tipo de comemoração? - Por que comer cachorro é inadmissível enquanto comer outros animais é aceitável? - E se países onde as pessoas não costumam comer carne vermelha tivessem o mesmo costume dos EUA? - Será que países com poucos recursos teriam comida o suficiente se todos parássemos de consumir produtos de origem animal? - Referir-se à carne como “cadáver” é, afinal, uma hipérbole? - Basta apenas abster-se da carne para diminuir os impactos ou além disso é urgente “espalhar a palavra”? Li cerca de um subtítulo por noite, mas não sei se recomendo fazer isso, talvez seja melhor lê-lo durante o dia. Tive um pouco de insônia e alguns sonhos incomuns. Embora eu tenha realmente me interessado pela leitura, tive de reler vários parágrafos para não perder o sentido do que o autor queria dizer. Não sei se era problema de incoerência na tradução ou se eu me distraia, mas sei que parecia que precisava de uma maior explanação do autor em algumas associações de termos como “escravidão versus exploração de animais”. Apesar desse livro ser focado mais nos EUA, dá para tirar bom proveito dos questionamentos éticos. Há relatos tão palpáveis quanto esses vídeos que circulam na internet denunciando o sofrimento de animais. Gostei muito da sinceridade do autor ao falar sobre sua vida num tom nostálgico e ao mesmo tempo desafiador. Acho até que se eu o conhecesse antes, seus relatos teriam mais sentido para mim, assim como eu me senti ao ler “Como os animais salvaram a minha vida”, da Luísa Mell. Enfim, é um excelente livro para ser discutido em grupos de leitura, principalmente (pois de uma forma ou de outra a gente vai sair falando dele pra todo mundo rsrsrs). E é ótimo pra quem gosta de livro-reportagem. Eis um vídeo rápido e didático caso você não goste de ver sangue e tem interesse pelo assunto: https://www.youtube.com/watch?v=NxvQPzrg2Wg

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