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    O Homem que Sabia Javanês - & Harakashy e as Escolas de Java

    Lima Barreto

    Balão Editorial
    2020
    33 páginas
    1h 6m
    ISBN-10: B088HFCCBX
    Português Brasileiro
    3.8
    2079 avaliações
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    Um anúncio no jornal, convocando um professor de Javanês para ministrar algumas aulas particulares interessa Castelo, que embora não saiba nada do idioma, aposta na ignorância do aluno para faturar uns trocados. Isso leva Castelo a se enfiar cada vez mais na mentir a precisar cada vez mais ludibriar quem acredita no seu javanês, sempre com resultados impressionantes. O conto traz uma crítica à falsa sabedoria, a hipocrisia e aos "gatekeepers" da sociedade. Já em Harakashy e as Escolas de Java, Lima Barreto volta à Java para criticar a hipocrisia e os gatekeepers da sociedade em um tom irônico e bem humorado.

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    Phelipe Guilherme Maciel picture
    Phelipe Guilherme Maciel03/03/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Crítica bem humorada à Sociedade Brasileira e aos falsos intelectuais.

    Lima Barreto é filho de pai e mãe negros, escravos, que após a abolição da escravatura trabalharam respectivamente como tipógrafo e professora, dando assim ao filho total acesso à educação. Lima Barreto cresceu com olhos vorazes para criticar a sociedade brasileira, que considerava racista, preconceituosa e hipócrita. No conto "O Homem que Sabia Javanês", o escritor conta de um malandro que sobrevivia de pequenos golpes, muitos deles desaparecer sem pagar a pensão, contar mentiras e que gostava da vida mansa. Numa situação que estava enrascado, viu o anuncio que buscava-se um professor de Javanês para ensinar um poderoso conde. Ele sem saber mais que 4 palavras da língua, que pesquisou previamente à entrevista que dar-se-ia na casa do Conde, ludibriou-o como grande mestre de Javanês, filho de Javanês nato. Não apenas enganou o Conde, mas virou membro do governo brasileiro como Consul e Diplomata, indo inclusive ao estrangeiro para representar o país. Uma crítica excelente à uma sociedade hipócrita que valoriza tantos falsos intelectuais, contada com humor excelente e irônico. Cabe lembrar que Lima Barreto, grande intelectual escritor de romances como Clara dos Anjos, Triste Fim de Policarpo Quaresma, Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, entre outros, foi um grande crítico de sua época, que não pode terminar os estudos devido a falta de apoio da intelectualidade brasileira, negado na Academia Brasileira de Letras simplesmente por ser negro (Instituição essa fundada por um mulato, Machado de Assis), que morreu desiludido e pobre, sem ver a maioria de seus romances ser sequer publicada, a grande maioria veio a ser impressa postumamente.

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