Eu não estava esperando tantos plot twists nessa releitura de um clássico chinês. Uma fantasia que mistura intrigas políticas com deuses.
Na Dinastia Xin, o caos prevalece, a fome assola a maior parte da população e quem escapa dela, pode morrer pelas mãos dos senhores de guerra. Enquanto a imperatriz não passa de um fantoche, nascem três facções com três senhoras de guerra que almejam coisas diferentes, mas tem um objetivo em comum, controlar o império. Nessa guerra tudo é possível, todos podem ser inimigos e nem todos são humanos.
Brisa, nossa protagonista, é a estrategista de Xin Ren, senhora de guerra leal a imperatriz e que busca devolver todo o poder a ela. Brisa é forçada a se infiltrar no acampamento inimigo para impedir que os seguidores de Ren sejam massacrados e lá ela conhece o estrategista Corvo, um oponente que finalmente se mostra a sua altura, ela vai aprender que nessa guerra você deve trair ou ser traído.
Eu amei tudo nessa história, a protagonista é uma das melhores que eu já conheci, tão inteligente e apresenta uns dilemas que dão o que pensar. A autora trabalha muito bem os outros personagens, os que são destacados podem ser ainda mais perigosos do que eu imaginava. As reviravoltas me deixaram de boca aberta, nem de longe eu pensei que tudo isso fosse acontecer, como eu amo intrigas políticas e personagens não confiáveis. Tem até mesmo um clima de romance no meio dessas páginas, com toda certeza não é o foco, mas os poucos momentos me deixaram boba.
Sendo o primeiro de uma duologia, "O soar da cítara" tem um começo bem promissor, um aspecto cultural forte, protagonistas excêntricos e uma trama que se mostrou intrigante e perigosa, mal posso esperar pela continuação.
📖"Somos todos tão passageiros. Vivemos e morremos; esquecemos e somos esquecidos. A terra reivindica nossos corpos, e estranhos reivindicam nossos nomes. Apenas imperatrizes são lembradas — e aqueles que as matam. Os que arruínam impérios ou os devolvem a seus governantes legítimos."