Lançado inicialmente em formato digital, Esse brilho é meu chegou em versão física pela Editora Naci (que enviou este exemplar de cortesia). A história é de um garoto apaixonado pelo mundo da criação e cosplay que está em uma difícil jornada competitiva depois de ter o coração partido pelo garoto por quem estava apaixonado.
Raffy tem uma paixão e um dom: ele cria peças maravilhosas inspiradas em personagens das suas histórias favoritas (principalmente de jogos). Sua ideia é brilhar na competição de cosplayers da Controverse, uma convenção geek que oferece patrocínio e fama a quem vencer esse concurso.
O único problema, além de Raffy precisar se esconder porque sua mãe - uma artista crítica que detesta criações de fãs - é que o ex-namorado dele está concorrendo na mesma competição. Com criações que o Raffy inventou.
Entre passado e presente, conhecemos o que os levou a se aproximar e se apaixonar, e o que culminou em um término tão doloroso que transforma a competição em uma grande disputa para ver quem brilha mais.
Esse brilho é meu é um romance contemporâneo YA que encanta pelo universo criativo, pelo protagonista carismático, mas falha um pouco com a parte romântica.
Eu gostei bastante do Raffy. Ele tem uma voz, um jeitinho único de falar sobre o que ama, e você consegue ver o artista brilhando nas páginas. A maneira com que ele descreve suas criações, o cuidado com as peças, é tudo muito rico.
Você vive essa competição e o brilhantismo das criações de cosplayers através do Raffy e da paixão dele. E se você, assim como eu, adora o universo geek e o quanto as pessoas conseguem fazer maravilhas dando vida a personagens fictícios, vai adorar essa parte da leitura.
Eu amei acompanhar a criatividade e a competitividade do Raffy. Porque ele quer provar que é brilhante, e que merece ganhar, e vai fazer tudo que puder dentro das suas criações para isso - o que resulta em confusões, sim, mas em peças magníficas.
A jornada de "eu sou o suficiente" é muito forte no personagem. Sua relação com a mãe (que é um ícone das galerias de arte, mas olha feio para criações independentes e artistas que fogem do comum) é complicada, e move o personagem.
"- Às vezes no mundo cosplay nós só precisamos de um pouco de cola quente."
Ryan La Sala desenvolve seu protagonista maravilhosamente bem. Mesmo nos conflitos, eu estava do lado do Raffy. Quando ele erra, é porque é um garoto aprendendo a lidar com suas inseguranças. É porque está aprendendo a viver.
Do interesse amoroso, no entanto... Eu não gostei de nada. Achei sem graça, sabe? Luca não tem uma presença. Não achei o desenvolvimento do romance deles bonito ou emocionante, então o término também não me fez sentir nada. E, consequentemente, os conflitos também não.
E porque o livro depende muito desse romance conturbado e dos sentimentos conflitantes entre os dois, e porque eu não senti nada disso, acabou sendo vazio nessa parte. O que é uma pena, porque o potencial de garotos apaixonados de coração partido competindo por um prêmio é maravilhoso. Só não funcionou pra mim.
A edição da Naci tá uma gracinha. Gostei muito da capa brasileira (ilustrada por Helder Oliveira) e da tradução da Bruna Miranda, que dá contexto e faz boas adaptações para o português.
Em um contexto geral, Esse brilho é meu é um daqueles YA contemporâneos muito gostosinhos, que você lê sem perceber que as páginas estão passando. Ryan La Sala tem um bom humor genuinamente divertido, sem exagerar em memes ou piadas fora de hora, o que torna a leitura leve.
Não fosse aquele ponto da falta de química e de interesse no romance, eu com certeza teria favoritado. Mas ainda recomendo e garanto que vai te divertir bastante!