“Êste ensaio é uma tentativa de interpretação histórica da Amazônia sob aspecto um tanto quanto ecológico. O assunto que se pretende desenvolver em sua trilogia Natureza, Homem e Tempo, já em si reclama exame de fatos interrelacionados com os homens, o solo, as plantas, os animais e a História.
[…] Dest’arte, no presente ensaio, o homem é a figura centralizadora, e ao seu redor giram a terra, as águas, as plantas, os animais, servindo-o segundo recomendam as técnicas e as convenções. Intenta-se a apreensão das verdades do conjunto regional. Como os grupos humanos se ajustaram à “comunidade harmônica e natural de homens animais e plantas”, usando a expressão de Ilse Schwidetzky em seu livro “Etnobiologia”, como tais grupos reagiram ao meio, como utilizaram os recursos do solo, da flora, da fauna, que técnicas adotaram em seu trabalho, e o que resultou dêsse esfôrço coletivo a que se convenciona chamar de esfôrço criador do homem na humanização da paisagem.
Procuro, aqui, desenvolver o tema sem intenções de análise minuciosa (que seria tarefa de vários autores), ou de qualquer espécie de sectarismo. Simplesmente esboço de História social, dentro de um sentir pessoal, direi mesmo impressionista. Tentando fazer História de um modo mais amplo, mais humano.”
Leandro Tocantins