Eurico, o Presbítero (Biblioteca Essencial da Literatura Portuguesa) -

    Alexandre Herculano

    Oficina do Livro
    2010
    186 páginas
    6h 12m
    ISBN-13: 9789895553099
    Português

    História de amor entre Eurico e Hermengarda, passada na Hispânia visigótica do século VIII. Época que dita o fim do Reino Visigodo diante da conquista dos muçulmanos que avançaram pela maior parte da Península Ibérica. Constituindo uma obra única do Romantismo português, "Eurico, o Presbítero" aborda ainda o problema ético-religioso do celibato: o Presbítero fôra antes um nobre gardingo e guerreiro, nas côrtes de Toledo e da Cantábria, que se apaixonara por Hermengarda, filha do orgulhoso Duque Fávila. Mas este não o considerava digno da filha, que era da realeza, e não autorizou o casamento! Desgostoso, Eurico assume os votos e torna-se o presbítero de Cartéia em Gibraltar |....| Com a invasão árabe sarracena, ele abandona o hábito para tornar-se novamente um guerreiro: converte-se no misterioso e heróico Cavaleiro Negro, que logo se destaca por suas prodigiosas façanhas militares e pelas canções que fazia animando o espírito de luta do povo. Ainda assim, os godos e os outros povos da Península vão sendo, gradativamente, cercados e derrotados pelos Mouros, devido a traição dos seus próprios compatriotas. Mas Eurico não desiste e continua a lutar nas montanhas asturianas: vai comandar o contra-ataque e aplicar a 'justiça de Deus' na punição dos traidores da Pátria, incorporado ao grupo de Resistência, cujo chefe é Pelágio (Pelayo, o irmão de Hermengarda e Príncipe do Reino livre e independente das Astúrias -- núcleo da Reconquista nos séculos futuros. Alexandre Herculano renova a tradição dos romances de cavalaria e das canções de gesta (chansons de geste) para a criação do romance de ficção histórica em língua portuguesa. Como um romance de cavalaria do período romântico -- "Eurico, o Presbitero" apresenta a idealização da mulher e da natureza; a figura do herói, o espirito nacionalista, o idealismo platônico; o pessimismo pela incompatibilidade do homem com o meio social e desilusões amorosas. . . ==== https://ensina.rtp.pt/artigo/quem-e-eurico-o-presbitero/ http://dp.uc.pt/conteudos/entradas-do-dicionario/item/222-hermengarda https://ensina.rtp.pt/artigo/uma-biografia-de-alexandre-herculano/ ==== [Sobre o Autor]: Poeta, romancista, historiador e ensaísta português, Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo nasceu a 28 de março de 1810, em Lisboa, e morreu a 18 de setembro de 1877, em Santarém. A sua obra, em toda a extensão e diversidade, ostenta uma profunda coerência, obedecendo a um programa romântico-liberal que norteou não apenas o seu trabalho mas também a sua vida. Nascido numa família modesta, estudou Humanidades na Congregação do Oratório, onde se iniciou também na leitura meditada da Bíblia, o que viria a marcar a sua mundividência. Impedido por dificuldades económicas e familiares de frequentar a Universidade, preparou-se para ingressar no funcionalismo, frequentando um curso prático de Comércio e estudando Diplomática na Torre do Tombo, onde aprendeu os rudimentos da investigação histórica. Por esta altura, com 18 anos, já se manifestava a sua vocação literária: aprendeu o francês e o alemão, fez leituras de românticos estrangeiros e iniciou-se nas tertúlias literárias da marquesa de Alorna, que viria a reconhecer como uma das suas mentoras. Em 1831, envolvido numa conspiração contra o regime miguelista, foi obrigado a exilar-se, primeiro em Inglaterra (Plymouth) e depois em França (Rennes). No exílio, aperfeiçoou o estudo da história, familiarizando-se com as obras de historiadores como Thierry e Thiers, e leu os que viriam a ser os seus modelos literários: Chateaubriand, Lamennais, Klopstock e Walter Scott. Em 1832, participou no desembarque das tropas liberais em Mindelo e na defesa do Porto, onde foi nomeado segundo-bibliotecário e encarregue de organizar os arquivos da biblioteca. Entre 1834 e 1835, publicou importantes artigos de teorização literária na revista Repositório Literário, do Porto, (posteriormente compilados nos Opúsculos). Em 1836, por discordâncias com o governo setembrista, demitiu-se do seu cargo de bibliotecário e publicou o folheto A Voz do Profeta. Em Lisboa, dirigiu a mais importante revista literária do Romantismo português, O Panorama, para que contribuiria com diversos artigos, narrativas e traduções, nem sempre assinados. Em 1839, aceitou o convite de D. Fernando para dirigir as bibliotecas reais da Ajuda e das Necessidades, prosseguindo os seus trabalhos de investigação histórica, que viriam a concretizar-se nos quatro volumes da História de Portugal, publicados no decurso das duas décadas seguintes. Foi precisamente por essa altura que se envolveu numa polémica com o clero, ao questionar o milagre de Ourique, polémica que daria origem aos opúsculos Eu e o Clero e Solemnia Verba. Eleito deputado pelo Partido Cartista em 1840, demitiu-se no ano seguinte, desiludido com a atividade parlamentar. Voltou à política em 1851, fundou o jornal O País, mas logo se desiludiu com a Regeneração, manifestando o seu desagrado pela conceção meramente material de progresso de Fontes Pereira de Melo. Em 1853, fundou o jornal O Português, e dois anos depois foi nomeado vice-presidente da Academia Real das Ciências e incumbido pelos seus consórcios da recolha dos documentos históricos anteriores ao século XV - tarefa que viria a traduzir-se na publicação dos Portugaliae Monumenta Historica, iniciada em 1856. Neste mesmo ano tornou-se um dos fundadores do partido progressista histórico e em 1857 atacou a Concordata com a Santa Sé. Em 1858, recusou a cátedra de História no Curso Superior de Letras. Entre 1860 e 1865, envolveu-se em nova polémica com o clero, quando, ao participar na redação do primeiro Código Civil Português, defendeu o casamento civil. Em 1865, fruto das suas reflexões, saíram os Estudos sobre o Casamento Civil. Em 1867, desgostoso com a morte precoce de D. Pedro V, rei em quem depositava muitas esperanças, e desiludido com a vida pública, retirou-se para a sua quinta em Vale de Lobos (comprada com o produto da venda das suas obras), onde se dedicaria quase exclusivamente à vida rural, casando com D. Maria Hermínia Meira, sua namorada da juventude. Apesar deste novo e voluntário exílio, continuou a trabalhar nos Portugaliae Monumenta Historica, interveio em 1871 contra o encerramento das Conferências do Casino, orientou em 1872 a publicação do primeiro volume dos Opúsculos e manteve correspondência com várias figuras da vida política e literária. Morreu de pneumonia aos 67 anos, originando manifestações nacionais de luto. ----------------‐-----‐----------- Alexandre Herculano. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.

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