Apesar de amar poesia não sou do tipo de leitora que consegue desvendar o significado de cada estrofe, eu leio e releio apenas para sentir, portanto vou tentar colocar as sensações que tive ao ler essa coletânea. a sylvia, para mim, é a explosão de tudo aquilo que tento reprimir, desde quando a li pela primeira vez me senti completamente exposta pelas palavras dela, parecia um mergulho dentro dos lugares da minha alma que não consigo alcançar. A partir daí tentei ler tudo dela que estava disponível para mim: seu único romance, seus diários, um pouco de suas cartas, seus contos, ariel e agora estes poemas reunidos; em todas essas obras os temas morte e a experiência feminina são pontos destaque. ao ler esses poemas senti:
- o último dia de verão em uma praia deserta
- a visão de um belo jarro com rosas brancas murchando e o odor que uma vez já foi belo mas que então remetia a coisas mortas
- o grito de uma cigarra perto a explodir
- a despedida de alguém que você não voltará a ver
- o encontro de frutas jogadas ao chão que, apesar de parecerem perfeitas, não servem para consumir
acho que tudo isso significa a finitude das coisas, algo que está perto de acabar e que não há nada a fazer a respeito disso. eu suuuuuper recomendo ler sylvia plath, mas com um aviso: você se sentirá extremamente mórbido após a leitura.
agora falando da edição em si: gosto muito quando a editora traz uma edição bilíngue e isso só ressaltou como a tradução é ruim. a escrita da sylvia é incrível, ela tem uma forma muito única de construir os versos criando mundos com atmosferas indescritíveis no entanto a tradução não conseguiu entregar isso. eu sei que é impossível recriar um poema trazendo todos os elementos que foram criados originalmente, porém com uma língua rica como o português não acredito que a tradutora tenha feito jus ao trabalho da sylvia e não explorou as possibilidades. me incomodou também a falta de notas do tradutor, do editor e notas de rodapé, coisas que enriquecem a experiência de leitura e que foram deixadas de lado. Se tratando de uma autora como a Sylvia, que a história pessoal afetou diretamente a obra produzida, a falta de contexto dificulta a compreensão de muita coisa. Por exemplo, o poema Talidomida retrata um desastre que ocorreu nos anos 60, causando diversos abortos e o nascimento de bebês deformados; a própria Sylvia sofreu um aborto em 61 portanto falar o que é a talidomida e suas consequências traz uma nova dimensão ao poema.
nem vou comentar a capa ridícula a la novela da globo de 2008.
por fim, recomendo a obra e, se possível, leia em inglês.