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    O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades -

    Elfriede Jelinek

    Temporal
    2023
    189 páginas
    6h 18m
    ISBN-13: 9786587243269
    Português Brasileiro
    3.8
    14 avaliações
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    O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades, peça escrita em 1979 pela romancista, ensaísta e dramaturga austríaca, vencedora do Nobel de literatura, Elfriede Jelinek, começa exatamente no ponto em que termina Casa de Bonecas, escrita pelo norueguês Henrik Ibsen cem anos antes. Protagonista de ambas as peças, Nora aparece em Ibsen como uma figura feminina aparentemente bem enquadrada na sociedade patriarcal e que, no entanto, se liberta pouco a pouco de sua condição submissa, deixando a casa onde morava e abandonando marido e filhos. Já a peça de Jelinek tem início no momento em que Nora inicia sua trajetória como mulher emancipada, mas nem por isso livre das estruturas de dominação que a assujeitam, seja em virtude de sua condição de operária de fábrica, seja em seu novo casamento com o Cônsul Weygang – empresário avarento e calculista que a autora foi buscar entre os personagens de outra peça de Ibsen, Pilares da Sociedade –, seja ainda pelas pressões econômicas que a desafiam continuamente em sua busca pela realização pessoal. O argumento desta obra, concebida como um drama secundário, nasce de um interesse que sempre moveu a atividade criadora de Elfriede Jelinek: resgatar figuras femininas, reais ou literárias, como forma de tematizar questões sociais profundas e complexas.

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    Aline Aimée Oliveira picture
    Aline Aimée Oliveira19/08/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma crítica exasperante e experimental do capitalismo

    "O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades" é a primeira peça da autora austríaca Elfriede Jelinek, escrita em 1979. Tendo lido "A pianista", um de seus romances, eu já esperava um texto exasperante - que foi, de fato, o caso desse drama. O que eu não imaginava é que a autora anteciparia diagnósticos tão próprios da nossa época: dinâmicas capitalistas calcadas na inflação do ego, na performance e no desempenho, assim como no lixo midiático. Jelinek compõe uma peça resgatando dois trabalhos do norueguês Henrik Ibsen - "Casa de Bonecas", sobre uma mulher que se conscientiza de sua condição limitada e reduzida no casamento, e "Pilares da Sociedade", em que um cônsul persegue, obstinada e inescrupulosamente, o poder e a riqueza. Jelinek resgata, com um pessimismo acachapante, esses personagens, para imaginar como teriam seguido suas vidas após o ponto final dos textos de Ibsen. Absolutamente nenhuma pessoa presta. Todas são corrompidas na busca por sucesso pessoal, todas se vendem às promessas do capitalismo. São indivíduos tão egocêntricos que suas falas mal constituem diálogos. Falam sozinhos, descrevem a si mesmos e repetem discursos prévios como numa performance. Citam músicas, slogans, postulados teóricos, pronunciamentos fascistas, que, deslocados de seus contextos, soam superficiais e absurdos. O efeito é uma barafunda textual que causa em quem lê a sensação de um shot concentrado do suco capitalista: acúmulo, poluição, corrupção. Jelinek parece querer reacender nos leitores um incômodo talvez já naturalizado e amortecido: a consciência de que, como está, esta cultura só nos deixará mais isolados e miseráveis. E, considerando a extrema negatividade do texto, a autora talvez estivesse sugerindo que a lucidez é o mais próximo de um ganho que temos sido capazes de obter. Louvo a autora por atingir esse grau de reflexão e de efeito com um trabalho experimental da linguagem que a princípio me repeliu, mas que me intriga quanto mais lembro e penso nessa leitura. Agradeço às apoiadoras queridas do meu canal que debateram o livro comigo e me ofereceram novas perspectivas. Vocês também me deixaram bastante pensativa. Instagram: @alineaimee apoia.se/alineaimee

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    Elfriede Jelinek

    Simultaneamente política e feminista, Elfriede Jelinek cria uma linguagem muito própria que utiliza como arma artística e estética contra os males e vícios das sociedades modernas - a exclusão das diferenças, os abusos de poder e os pesos sociais que asfixiam, esmagam e destroem. Jelinek inscreve-se na tradição literária austríaca junto de grandes e polêmicos autores, tais como Karl Kraus e Thomas Bernhard. Tal como eles, foi considerada pornográfica e traidora da pátria, tendo recebido ameaças e desprestígio. Apesar disso, tem sido, ao longo da sua carreira, agraciada com múltiplos prêmios literários incluindo o Nobel de Literatura de 2004. A Academia Sueca destacou seu "fluxo musical de vozes e contra-vozes em novelas e peças que, com extraordinário zelo linguístico revela o absurdo dos clichés da sociedade e seu poder de subjugo".

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    Styria, Áustria

    Elfriede Jelinek