"...a morte implacável e onipotente, de que ela também se sentia escrava, e que não deixaria um dia de levar a sua linda caveirinha..."
O título desse conto faz referência à Corrida do Ouro nos Estados Unidos, quando a promessa de enriquecimento rápido acabou gerando caos, violência e desordem. Lima Barreto traz essa ideia para o Brasil na pequena cidade de Tubiacanga, que tem sua rotina abalada quando ossos começam a ser furtados do cemitério local provocando forte revolta entre os moradores.
Quando o motivo dos furtos é esclarecido, a história mostra como a perspectiva de ganho fácil interfere diretamente nos valores das pessoas. Aquilo que antes parecia inaceitável passa a ser tolerável e a busca por vantagem fala mais alto e enquanto eles estão obcecados pelos próprios interesses, avançando cada vez mais, quem iniciou toda a situação já não está mais lá, deixando atrás de si um rastro de destruição.
Eu gosto da forma direta como Lima Barreto faz suas críticas através de sátiras. A reta final desse conto é bem bizarra e o desfecho é ótimo, justamente pela ironia de mostrar que no meio da loucura das pessoas de maior prestígio da cidade quem mais teria motivos para se envolver é justamente o único que mantém alguma integridade.