As redes sociais são provavelmente o maior experimento coletivo da humanidade. Mas qual o impacto delas no mundo? São ferramentas que apenas refletem a natureza das pessoas, ou estimulam comportamentos extremistas? A partir dessas perguntas, o repórter investigativo Max Fisher disseca o funcionamento das grandes empresas de tecnologia, construindo um panorama estarrecedor e dando um alerta para que repensemos com urgência nossa relação com as redes.
A máquina do caos
Max Fisher
Tudo é programado
Como aspirante a psicóloga que está super inclinada para a abordagem da psicologia social crítica, considero essa uma leitura essencial para entendermos como caralhos chegamos nesse ponto. Terrível como o capitalismo através das redes atualmente moldam nossos desejos e necessidades, a nossa subjetividade é moldada no "produzir". Na modernidade o capitalismo supostamente assolava somente os âmbitos operacionais (o que não deixa de ser terrível), e, agora na contemporaneidade, ele está integrado em toda a psique humana. Nossos hobbies, nossas relações e nosso lazer, tudo isso precisa sempre ser documentado? A necessidade de produzir está impregnada em absolutamente tudo, é difícil fugir dessas automações da vida. Qual foi a última vez que fez algo minimamente interessante e não sentiu a necessidade de "mostrar" isso através da redes? Caso contrário, aquela experiência não foi válida. Será? E não só a infelicidade de assistir a subjetividade e humanidade sucumbir pelas mãos dos ventríloquos engravatados, mas quão deprimente é ver que as contraculturas estão sumindo, abrindo espaço para todo e qualquer tipo de doutrina que culpabilize o indivíduo e sua falta de querer pela ruína do mundo. A revolta atualmente é lunática, baseada em achismos, os espantalhos ocultos das sociedades secretas. Os grandes porcos perceberam que a atenção humana é muito mais valiosa que petróleo. A culpa pelo fracasso atualmente é nossa, ainda não atingimos o mérito, não é? E quando não estamos nos deprimindo por nossas incompetências, atribuímos culpa nos discordantes, e nos revoltamos contra quem está no mesmo barco que a gente. Ou pior, nos revoltamos contra quem está se afogando. É incômodo refletir sobre isso, significa perturbar o status quo. Extrema direita, antivacinas, red pills, terraplanistas; existem culpados por trás disso, e eles provavelmente nunca serão punidos. Enfim, leiam a Máquina do Caos.
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