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    Prosa -

    Charles Baudelaire

    Penguin-Companhia
    2023
    1008 páginas
    1d 9h 36m
    ISBN-13: 9788582851708
    Português Brasileiro
    4.6
    7 avaliações
    Leram7Lendo7Querem78Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados78Avaliaram7

    Poeta fundamental do cânone europeu, Charles Baudelaire também foi um prolífico autor de textos em prosa, como se observa nesta seleção de Júlio Castañon Guimarães. A tradução, também assinada por Guimarães, revela um trabalho cuidadoso e atento às nuances do texto original, capturando o estilo melancólico de Baudelaire. Este volume expõe a diversidade de interesses do autor francês, explorando sua faceta de crítico literário e de arte, além de sua vida íntima, com entradas fragmentárias de diário e a obra Paraísos artificiais, onde narra experiências com haxixe. Central ao livro é Spleen de Paris, que inspirou pensadores como Walter Benjamin pelo seu retrato da vida urbana e da chegada violenta da modernidade. Trata-se de poemas em prosa que podem ser lidos como contos ou pequenos instantâneos assombrados pela figura do flâneur – o caminhante das grandes cidades.

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    Mica Gagize picture
    Mica Gagize22/09/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Excelente.

    Prosa, de Baudelaire, foi lançado dia 28 de agosto desse ano pela Companhia das Letras. A edição, com 1008 páginas, tem tradução, organização e introdução do mineiro Júlio Castañon Guimarães, mestre e doutor em Letras pela UFRJ, que já traduziu As Flores do Mal em 2019 para a Penguin/Companhia das Letras, e recebeu o prêmio Paulo Rónai de tradução da Biblioteca Nacional. Castañon também traduziu Rimbaud, Mallarmé e Paul Valéry, entre outros gigantes. Esse livro maravilhoso, que eu comecei imediatamente, reúne: - O spleen de Paris, coletânea de 51 poemas em prosa que foi publicada em 1869, após a morte de Baudelaire. - Diários, ensaios e novelas. - Crítica literária (Flaubert, Gautier, Victor Hugo e Poe). - Crítica musical (Wagner e Tannhäuser em Paris). - Crítica de arte (Vida e obra de Delacroix, Salão de 1845/1846/1859), O museu clássico do Bazar Bonne-Nouvelle, caricaturistas franceses e estrangeiros, Da essência do riso, Exposição Universal 1855, A arte filosófica, O pintor da vida moderna e Pintores e água-fortistas). Seguramente um dos melhores lançamentos do ano, e que estará presente no perfil muitas vezes.

    5 curtidas

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    Avaliações

    4.6 / 7
    • 5 estrelas57%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Charles-Pierre Baudelaire profile picture

    Charles-Pierre Baudelaire

    Órfão de pai aos seis anos, Charles-Pierre Baudelaire viria a odiar o segundo marido da mãe, o general Jacques Aupick (mais tarde, esse sentimento inspiraria sua atitude rebelde em face das convenções sociais e dos temas frívolos na poesia). Após anos de desavenças com o padrasto, Baudelaire interrompeu os estudos em Lyon para fazer uma viagem à Índia. Na volta, participou da Revolução de 1848. Após esse período conturbado, passou a freqüentar a elite aristocrática. Envolveu-se com a atriz Marie Daubrun, a cortesã Apollonie Sabatier e a também atriz Jeanne Duval, uma mulata por quem se apaixonou e a quem dedicou o ciclo de poemas "Vênus Negra". Em 1847, lançou "La Fanfarlo", seu único romance (trata-se, mais propriamente, de uma novela autobiográfica). Dez anos depois, quando se publicaram "As Flores do Mal" ("Les Fleurs du Mal"), todos os envolvidos com o livro foram processados por obscenidade e blasfêmia. Além de pagarem multa, viram-se obrigados a retirar seis poemas do volume original (só publicado na integra em edições póstumas). Tanto "As Flores do Mal" como "Pequenos Poemas em Prosa" (póstumos, 1869) introduziram elementos novos na linguagem poética, fundindo opostos existenciais como o sublime e o grotesco. Entre seus ensaios, destaca-se "O Princípio Poético" (1876), em que fixa as bases de seu trabalho. Nos diários (também publicados postumamente), revela-se profético e radical contestador da civilização moderna. Literato que avançou as fronteiras dos costumes em sua época, Baudelaire lançou-se como crítico de arte no Salão de 1845, sempre buscando um princípio inspirador e coerente nas obras artísticas. ("Salão" era o nome pelo qual se conhecia a mais importante mostra anual da pintura e da escultura francesas.) De 1852 a 1865, Baudelaire traduziu os textos do poeta e contista norte-americano Edgar Allan Poe, por quem se entusiasmara já no final da década de 1840. Outro Baudelaire, o sifilítico e usuário de drogas, surge em "Os Paraísos Artificiais, Ópio e Haxixe" (1860), uma especulação sobre plantas alucinógenas, parcialmente inspirada pelas "Confissões de um Comedor de Ópio" (1821), do escritor inglês Thomas de Quincey. Há também obras de cunho intimista e confessional, como "Meu Coração Desnudo". Baudelaire foi um dos maiores poetas franceses de todos os tempos. Alguns o consideram um antecessor do parnasianismo, ou um romântico exacerbado. Pioneiro da linguagem moderna, impôs à realidade uma submissão lírica. Embora muito criticado, tinha entre seus admiradores homens como Victor Hugo, Gustave Flaubert, Arthur Rimbaud e Paul Verlaine. Dissipou seus bens na boemia e na jogatina parisienses. Mergulhado em dívidas, teve de resignar-se a medidas judiciárias tomadas pelos familiares, e um tutor foi nomeado para controlar-lhe os gastos. Seus últimos anos foram obscurecidos por doenças de origem nervosa. Após uma vida repleta de tribulações, Baudelaire morreu com apenas 46 anos, nos braços da mãe. Seu talento e seu intelecto só seriam totalmente reconhecidos depois. No século 20, tornou-se um ícone, influenciando direta e indiretamente toda a moderna poesia ocidental.

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    Charles-Pierre Baudelaire