A voz que ninguém escutou é a de Maria que decide fugir da miséria e violência levando dois filhos para a capital na esperança do tão desejado emprego. É a voz de Inácio, um menino sequestrado e escravizado por um fazendeiro inescrupuloso, em busca de uma família para si. É a voz de Inês, a filha da empregada doméstica que sobrevive nos fundos da mansão de um poderoso banqueiro vivenciando cotidianamente as diferenças de classe, sonhando com um Brasil mais justo. É a voz de Vânia uma jornalista que acaba de assistir à tragédia de sua mãe e após uma grande revelação tenta reconstruir sua história ao mesmo tempo em que encontra novas formas de amar. É a voz deste que escreve estas palavras. É a voz de um país que esqueceu de lembrar do passado.
A voz que ninguém escutou -
Renan Silva
Edições (3)
Ver maisRenan Silva começou bem
Iniciei amando o livro. Agradecendo à TAG a escolha do mês. Querendo saber mais sobre quem é esse tal de Renan Silva. Me surpreendendo com o enredo. Indicando para todo mundo. E, como li em outra resenha, aprendi que precisamos esperar o final de um livro para indicá-lo de fato. Antes de continuar comentando, um pouquinho da história: ela se inicia mostrando uma Inês já idosa, que se acidentou e foi parar no hospital. Enquanto isso, marido e filha se revezam para ficar com ela, enquanto tentam entender o que aconteceu, de fato: acidente ou tentativa de suicídio? A partir daí, a história volta muitos anos atrás, na época em que a Inês era recém-nascida, e sua mãe, Maria, decide sair do nordeste para tentar a vida na capital, no caso, a cidade do Rio de Janeiro. Ela larga marido e a maioria dos filhos, pega um pau-de-arara, e foge com seus filhos Inês e Inácio, os mais novos. No caminho, Inácio é vendido pelo motorista do veículo para um grande produtor de cacau. Maria não pôde fazer nada. Ela chega no Rio e consegue emprego na casa de um riquíssimo banqueiro, JJ. A partir daí, a história se desenrola, misturando ficção com história brasileira (o que, particularmente, amo), e se dividindo entre o que acontece com Maria e Inês de um lado, e com Inácio, de outro. Contar o restante seria spoiler. Eu achei a ideia do enredo muito criativa. Além disso, como já comentei, adoro quando se mescla ficção com realidade. É uma forma de contar a história, no caso, a brasileira. Ainda mais do ponto de vista de uma classe mais pobre. Sabemos os pontos de vista de políticos, ativistas, figurões importantes, grandes empresários. Mas poucos se ocupam a contar a realidade das classes mais baixas, as quais, muitas vezes, nem tem sua realidade alterada, mesmo com mudanças importantes de governos e de sistemas políticos. Democracia? Ditadura? Parlamentarismo? Presidencialismo? Pode ser o que for, a vida dessa gente ainda continua sofrida. É uma boa leitura. Comecei amando e terminei gostando. Senti uma pressa em terminá-lo. Não sei se foi prazo, falta de paciência, falta de criatividade... Alguma coisa aconteceu. Porque a história, até por volta de 70% do livro, estava super elaborada. De repente, ela deu uma acelerada, e acabou de um jeito muito, digamos, "fácil". Tudo dando certo. Não sei bem explicar. Só digo que o final foi pouco elaborado. Me pareceu apressado. Além disso, as cenas de sexo foram desnecessárias para mim, e o último trisal formado me pareceu muito forçado. Mesmo assim, não acho que tenham atrapalhado o livro a ponto de eu dar uma nota baixa. Só não foi 5 estrelas por causa delas e do final que ficou muito a desejar (acabou do jeito que tinha que acabar, mas foi muito, digamos, "rápido"). No mais, estou curiosa para saber o que o autor vai escrever nos próximos anos. Se seu começo de carreira foi assim, imagino que os próximos livros serão grandiosos. Ainda continuo achando o melhor livro da TAG deste ano, até agora. E indico sua leitura sim, principalmente para estudantes que irão cursar o Enem. É uma boa forma de fixar os acontecimentos históricos.
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3.6 / 660- 5 estrelas17%
- 4 estrelas32%
- 3 estrelas32%
- 2 estrelas15%
- 1 estrelas4%



