No segundo volume de "Nossas Cores", a história continua a acompanhar a jornada de autodescoberta de Sora, um jovem estudante do ensino médio que mantém sua orientação sexual em segredo, escondendo-a do mundo. Como é comum nos segundos volumes de uma série, este apresenta desafios próprios, enquanto desenvolve os personagens e a trama. Embora o livro mantenha seu apelo, alguns dos elementos que tornaram o primeiro volume tão marcante parecem ter se perdido no caminho.
O volume começa com a revelação do segredo de Sora para sua melhor amiga, Nao. A reação de Nao ao descobrir que Sora é gay, e que ele tem mantido isso em segredo dela, é um dos pontos centrais do enredo. Antes, ela acreditava que poderia ter uma relação romântica com ele, mas agora se vê diante do dilema de manter ou não o segredo de seu amigo. A questão do "outing", que é quando alguém revela a orientação sexual de outra pessoa sem o consentimento dela, é explorada de maneira perspicaz. Nao, como amiga de Sora, precisa equilibrar o desejo de apoiar seu amigo com a necessidade de manter a confidencialidade.
Este volume destaca a importância da amizade e da lealdade em situações desafiadoras. Nao emerge como uma personagem notável, sendo uma amiga leal e positiva, disposta a enfrentar os problemas que surgem devido ao segredo de Sora. A dinâmica entre Sora e Nao oferece uma visão valiosa sobre como a revelação de um segredo pessoal pode afetar as relações interpessoais.
No entanto, o protagonista Sora pode se tornar um pouco monótono neste volume. Ele parece estar preso em uma espécie de ciclo de pensamentos, sem fazer progressos significativos em sua jornada de autodescoberta. Sua insegurança e medo de se declarar a um garoto, sem saber se ele é heterossexual ou homossexual, são temas importantes, mas a repetição constante de seus pensamentos pode tornar sua personagem um tanto enfadonha.
Apesar disso, o autor continua a abordar questões relevantes, como as expectativas heteronormativas dos pais em relação aos filhos. Os pais muitas vezes presumem que seus filhos seguirão o caminho da heterossexualidade, o que coloca uma pressão significativa sobre os ombros de jovens LGBTQ+. Isso os força a usar uma máscara para esconder sua verdadeira identidade, a fim de evitar desapontar seus pais. A luta de Sora para se manter autêntico enquanto enfrenta essas expectativas é um aspecto central da história.
No entanto, em comparação com o primeiro volume, este parece ter perdido parte da poesia e do impacto dramático. A dimensão artística, que era tão marcante no primeiro volume, parece menos presente. Embora Sora esteja envolvido na criação de um mural afresco, a representação visual dessa arte deixa a desejar. As imagens da obra em andamento são escassas, e o impacto visual é menos marcante.
As aberturas de capítulos, que eram estilizadas e distintas no primeiro volume, foram substituídas por uma abordagem mais convencional. A estilização e a poesia que marcaram o início da série parecem ter cedido espaço a uma apresentação mais tradicional. Isso pode desapontar os leitores que foram atraídos pela singularidade e pela profundidade do primeiro volume.
Uma ausência notável neste volume é a do patrão do café, que desempenhou um papel significativo no primeiro livro. Esse personagem é um dos favoritos da história, e sua presença é sentida em sua ausência. No entanto, quando ele aparece, suas interações com Sora continuam a ser pontos altos. Ele aborda o tema de homens que "saem do armário" enquanto estão em relacionamentos heterossexuais e as consequências dramáticas que isso pode ter em suas vidas e nas vidas das pessoas ao seu redor. Sua presença na narrativa adiciona profundidade e complexidade à história.
Um dos aspectos que pode decepcionar alguns leitores é a representação visual dos personagens. Os corpos dos personagens são retratados como excessivamente musculosos, o que pode dar uma sensação de peso às páginas e à narrativa. A falta de variedade na representação dos personagens, com todos tendo uma aparência física semelhante, é notável. Isso é especialmente evidente no crush de Sora, que se torna um ponto de preocupação na narrativa.
Em resumo, "Nossas Cores, Volume 2" é uma continuação que mantém o interesse na história, embora não atinja as altas notas do primeiro volume. A trama continua a explorar questões importantes relacionadas à sexualidade, identidade e aceitação, mas a falta de progresso significativo na jornada de Sora pode tornar a narrativa um tanto monótona. A poesia e a dimensão artística, que foram pontos fortes do primeiro volume, parecem menos presentes neste volume, mas a história mantém seu apelo. O personagem do patrão do café e suas interações com Sora continuam a ser pontos altos. No entanto, o volume é afetado pela representação visual dos personagens, com corpos excessivamente musculosos que podem pesar a narrativa. No geral, é uma leitura que vale a pena para quem deseja continuar acompanhando a jornada de Sora, com a esperança de que o terceiro volume traga de volta a poesia e a profundidade que marcaram o início da série.