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    Huasipungo (Prosa Latino-Americana) -

    Jorge Icaza

    Pinard
    2023
    230 páginas
    7h 40m
    ISBN-13: 9786599581090
    Português Brasileiro
    3.8
    50 avaliações
    Leram65Lendo4Querem152Relendo0Abandonos0Resenhas8
    Favoritos4Desejados152Avaliaram50

    A Pinard está de volta com a publicação de mais um clássico latino-americano esgotado no Brasil: <i>Huasipungo</i>, obra-prima do Equador publicada por Jorge Icaza em 1934. Até hoje, é considerada um dos romances mais representativos do continente sobre denúncia social – principalmente no que se diz respeito à exploração dos indígenas em prol de um ideal civilizatório moderno extremamente cruel. O realismo brutal de Jorge Icaza Huasipungo é o nome dado à parcela de terra cedida aos indígenas pelo latifundiário em troca do cultivo de toda a propriedade, sendo parte fundamental para a manutenção de um sistema socioeconômico rural baseado na exploração do povo quéchua. Tal modelo de negócio transformava os povos originários em moedas de troca, peças que podiam ser vendidas como qualquer ferramenta, gado ou terreno da fazenda. Considerado um romance modelar do Indigenismo pela maioria dos críticos, precedeu o realismo mágico e deu força ao chamado realismo brutal, cujas relações humanas são pautadas na violência e na omissão de qualquer direito humano. Para além da denúncia à brutalidade dos latifundiários, o romance traz à tona a participação do Estado e da Igreja na manutenção desse sistema de influencias feudalistas – apresentando uma clara contradição do discurso civilizatório vigente na América Latina no início do século 20. Esgotado desde 1980 no Brasil, o livro ganhou nova tradução realizada por Gilson Charles dos Santos, professor do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas pela Universidade de Brasília (UnB). A obra seguirá o padrão editorial da <i>Coleção Prosa Latino-Americana</i>, com capa dura, texto de apoio e ilustrações internas coloridas.

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    Guilherme M25/05/2024Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Denúncia social nos Andes

    “Huasipungo” (1934), de Jorge Icaza, é amplamente considerado no Equador o romance mais amado, importante e polêmico de toda a literatura do país. O título é a palavra em quéchua que designa a pequena parcela de terra cedida pelo latifundiário ao indígena em troca do trabalho na propriedade – em geral, trabalho degradante num regime análogo ao da escravidão. A trama conta a exploração do corpo e da alma de centenas de indígenas na fazenda de um agropecuarista equatoriano, obstinado com a construção de uma estrada que será usada por uma empresa petrolífera estadunidense. O livro pertence ao movimento do realismo social e foi escrito com o propósito de denunciar a exploração sofrida pelos indígenas nas mãos de latifundiários, sob cumplicidade do Estado e da Igreja Católica. Esse foi o objetivo publicamente declarado do autor, que não se interessou por realizar um grande feito artístico. Por isso, não há desenvolvimento de personagens. Os protagonistas são o vilão latifundiário e um bom indígena cujos horizontes nascem e se esgotam nos estereótipos com que simbolizam seus grupos antagônicos. São personagens planos a serviço exclusivamente da história. No estilo, Jorge Icaza obtém um ou outro bom momento estético, mas se vale de uma prosa afetada, desprovida de sutilezas e abusa de um emprego desajeitado de apostos que resulta em efeitos canhestros na leitura. Por falar nela, é entediante no primeiro terço, mas ganha fôlego e melhora progressivamente até culminar no clímax do excelente final. No todo, é uma experiência enriquecedora. Com “Huasipungo”, a América hispânica suplantou a vertente literária do indianismo, que considerava o indígena um objeto da literatura, para estabelecer o indigenismo, que enfocou os povos originários como sujeitos da literatura. Relançado em 2023 pela Editora Pinard, o livro vem com nova tradução, diagramação agradável, ilustrações e um bom texto de apoio.

    25 curtidas

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    Avaliações

    3.8 / 50
    • 5 estrelas12%
    • 4 estrelas46%
    • 3 estrelas34%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas0%
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    Jorge Icaza

    Nascido em Quito, Jorge Icaza Coronel (1906-1978) é considerado o escritor mais importante do Equador. Bonito e extrovertido, abandonou o curso de medicina para se tornar estudante de artes cênicas, integrando um grupo de teatro e escrevendo roteiros que se tornariam nacionalmente famosos. Logo o início da década de 1930, fundaria a própria companhia de teatro, casando-se com a atriz Marina Moncayo, com quem teve uma filha: Fenia Cristina Icaza Moncayo. A essa altura, o Equador vivia diversas convulsões na política e na economia, chegando a viver um Golpe de Estado em 1925. Com uma carreira de sucesso na capital, Jorge Icaza passou a realizar apresentações em outras regiões do país, momento em que pode acompanhar, de perto, a penosa realidade dos indígenas quéchuas. As mazelas do povo originário inspiraram seu primeiro romance, Barro de la Sierra (1933), mas a fama internacional veio com Huasipungo, publicado no ano seguinte, que colocou ao lado do boliviano Alcides Arguedas e do peruano Jorge María Arguedas como os principais representantes da literatura indigenista latino-americana. Depois de Huasipungo, Jorge Icaza publicaria mais seis romances, todos trazendo protagonismo ao homem indígena. Aos 71 anos, o autor morre devido a um câncer no esôfago. [Pinard]

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    Jorge Icaza