A Pinard está de volta com a publicação de mais um clássico latino-americano esgotado no Brasil: <i>Huasipungo</i>, obra-prima do Equador publicada por Jorge Icaza em 1934. Até hoje, é considerada um dos romances mais representativos do continente sobre denúncia social – principalmente no que se diz respeito à exploração dos indígenas em prol de um ideal civilizatório moderno extremamente cruel. O realismo brutal de Jorge Icaza Huasipungo é o nome dado à parcela de terra cedida aos indígenas pelo latifundiário em troca do cultivo de toda a propriedade, sendo parte fundamental para a manutenção de um sistema socioeconômico rural baseado na exploração do povo quéchua. Tal modelo de negócio transformava os povos originários em moedas de troca, peças que podiam ser vendidas como qualquer ferramenta, gado ou terreno da fazenda. Considerado um romance modelar do Indigenismo pela maioria dos críticos, precedeu o realismo mágico e deu força ao chamado realismo brutal, cujas relações humanas são pautadas na violência e na omissão de qualquer direito humano. Para além da denúncia à brutalidade dos latifundiários, o romance traz à tona a participação do Estado e da Igreja na manutenção desse sistema de influencias feudalistas – apresentando uma clara contradição do discurso civilizatório vigente na América Latina no início do século 20. Esgotado desde 1980 no Brasil, o livro ganhou nova tradução realizada por Gilson Charles dos Santos, professor do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas pela Universidade de Brasília (UnB). A obra seguirá o padrão editorial da <i>Coleção Prosa Latino-Americana</i>, com capa dura, texto de apoio e ilustrações internas coloridas.







