Flores -

    Afonso Cruz

    Companhia das Letras
    2016
    241 páginas
    8h 2m
    ISBN-10: B01F7V9QCE
    Português

    Uma história inquietante sobre o amor, a memória e o que resta de nós quando perdemos nossas lembranças. Um homem sofre muito com as notícias que lê nos jornais, com todas as tragédias humanas a que assiste. Um dia depara-se com o fato de não se lembrar do seu primeiro beijo, dos jogos de bola nas ruas da aldeia ou de ver uma mulher nua. Outro homem, seu vizinho, passa bem com as desgraças do mundo, mas perde a cabeça quando vê um chapéu pousado no lugar errado. Contudo, talvez por se lembrar bem da magia do primeiro beijo — e constatar o quanto a sua vida se afastou dela —, o homem decide ajudar o vizinho a recuperar todas as recordações perdidas. Em seu livro mais recente, o português Afonso Cruz apresenta uma bela reflexão sobre o amor e a memória.

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    Leila Cardoso21/07/2025Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Flores acompanha um jornalista que vive com a esposa e a filha numa rotina meio desgastada. Ele cria um laço curioso com o senhor Ulme, um vizinho idoso que sofre demais com as tragédias do mundo e esqueceu as melhores partes da própria história. O narrador decide ajudá-lo a reconstruir essas memórias perdidas, mas descobre que elas são cheias de contradições e sombras. Apesar da escrita fluida e agradável, Flores é um livro cheio de camadas. Afonso Cruz constrói uma narrativa fragmentada, com capítulos curtos e imagens muito ricas em simbolismo. As memórias são vistas como algo frágil, maleável, que pode ser moldado como um golem — e há uma crítica sutil ao risco de embelezarmos demais o passado ou impormos versões falsas para dar sentido à vida. Além disso, o livro deixa no ar questões difíceis sobre culpa, sobre a anestesia diante das tragédias alheias e sobre o que realmente significa "ajudar" alguém a se lembrar de quem foi. Gostei muito do tom do livro: a escrita é super agradável, com uma leveza surpreendente mesmo cheia de simbolismos e metáforas. Afonso Cruz consegue falar de memória, identidade e culpa sem nunca pesar a mão, o que faz a leitura fluir bem. O senhor Ulme é um capítulo à parte: uma comédia como idoso, cheio de manias, mas também uma figura muito interessante e contraditória quando vai sendo reconstruído pelas memórias dos outros. Achei fascinante como cada pessoa fala dele de um jeito diferente, deixando a gente meio sem saber quem ele realmente foi. No fim das contas, foi uma leitura gostosa e muito interessante. Tenho curtido bastante os livros do autor. Simbora pro próximo! #livrosescrap #amoler #flores #afonsocruz #literaturaportuguesa #reading

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