Longe da Multidão (Cranford Collection) -

    Thomas Hardy

    RBA
    2022
    302 páginas
    10h 4m
    ISBN-13: 9788413937540
    Português

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    sueli jansen alonso08/09/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Mulheres Carentes, Escolhas Erradas.

    Eu assistia a um episódio de “C. B. Strike”, baseado na obra de Robert Galbraith, mais conhecida como J. K. Rowling, quando um dos personagens diz: “Cada autor possui uma voz”. Nada mais verdadeiro! Principalmente quando se é um leitor viciado, atento e que possui suas preferências literárias. Um leitor, como eu, que lê apenas livros em sua própria língua, sempre vai estar à mercê da qualidade do tradutor contratado por determinada editora. É sabido que o tradutor divide a autoria de uma obra. E, é justamente neste ponto que um livro pode ou não cativar o leitor mais exigente. Lembro-me de “Belíssima”, de Nora Roberts, que suscitou uma encrenca danada quando foi lançado. A tradução recebeu muitas críticas, e concordo que aquela edição está terrível. E, foi a mesma reversão de expectativa que aconteceu comigo quando comecei a ler a edição digital de “Longe Deste Insensato Mundo”, comprada em uma promoção da Amazon, por R$ 12,90. Veja bem leitor, quando iniciamos um livro clássico de um autor tão respeitado como Thomas Hardy nossa expectativa é alta. Eu esperava uma edição de grande beleza narrativa, que me emocionaria a cada página lida, até que fui tropeçando no texto confuso, com muitos erros de digitação e palavras “alienígenas” que sujavam o texto e o tornavam confuso. Como havia assistido ao filme e amado, eu desejava muito ler esse livro. Então, resolvi procurar outra edição, outra tradução, outra editora, mas só encontrei a edição portuguesa... Esperei a chegada com ansiedade, mas fui plenamente recompensada, pois mesmo com pequenos e raros erros, que em nada comprometem o texto, eu li, finalmente, um romance maravilhoso e imagino a altura do texto original de Hardy. “Longe da Multidão” é um romance recheado de menções, alusões, passagens e figuras bíblicas. Sempre com muita propriedade e coerência com a estrutura de cada personagem do próprio romance de Hardy. Bathsheba é uma jovem que conseguiu uma posição atípica na sociedade inglesa em uma época que a liberdade financeira das mulheres solteiras era vista com grande reserva. Além de bela, possuía aptidões para administrar sua herança com desenvoltura e arrebanhar corações por onde passasse. Há muitos e muitos anos eu li em um dos livros de Agatha Christie, se não me engano foi “O Misterioso Caso Styles”, o livro de estreia do meu adorado Hercule Poirot, que ao ser perguntado o motivo das mulheres, eventualmente, fazerem péssimas escolhas, responder que nós detestamos os homens monótonos. ;) Talvez, a frase não seja exatamente esta, mas este é o contexto. A memória é inversamente proporcional ao avanço da idade. :/ Bathsheba, como toda mulher, é vulnerável às belas palavras. Assim como os homens ficam indefesos diante da beleza. Mas, não podemos esquecer que Bathsheba, apesar de toda a sua vaidade e arrogância, é uma pessoa carente e fragilizada por anos de orfandade, solidão e preocupação com seu futuro, que ao encontrar alguém versado na arte da sedução, torna-se isca fácil. Gabriel Oaks, o sargento Troy e o lavrador de meia-idade Boldwood formam o núcleo central deste romance trágico, mas de leitura agradável e emocionante. Aproveite a descrição das paisagens e cenas rurais que são a cereja do bolo, afinal é um clássico romance inglês do final do século dezenove, que recomendo fortemente.

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