Eu sou uma pessoa que aprendeu a apreciar a poesia e não poderia deixar esse dia passar em branco. Sempre quis conhecer Florbela d'Alma da Conceição Espanca, poetisa portuguesa que trouxe poesia de alta qualidade, recebendo prêmios literários como o Prêmio de Literatura Portuguesa.
A poetisa cultivou de forma exclusiva o soneto e as suas primeiras obras de poemas foram:
Livro de Mágoas (1919);
Livro de Sóror Saudade (1923);
Charneca em Flor (1931).
Ao terminar a leitura senti a alma da poetisa na sua dor, sofrimento, saudade e amor.
A cada poesia há um sentimentalismo profundo, o que me prendeu na sua profusão de palavras tristes, marcantes e que tocam, ela me trouxe muitas reflexões do viver. Além de demonstrar seu amor por Portugal e sua forma feminina que tanto nos representa.
"Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Eu sou a irmã do sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida... (...)
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!"
Ao ler Florbela Espanca você a conhecerá de forma verdadeira pois ela se entrega em seus versos, se mostra em várias vertentes que mexem, que te fazem se identificar como mulher que sonha, sofre, sente saudade, tem perdas, ama e ainda consegue a graciosidade de ser mulher.
Seu coração vai transbordar o que o dela o fez e se emocionar.
Eu não poderia deixar de ressaltar a edição belíssima da Martin Claret em capa dura e uma divisão que trouxe toda a beleza da poetisa.
Foi uma leitura intensa em que identifiquei com a mesma, também por ser mulher mas principalmente, pelos sentimentos apresentados em cada verso.