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    A casa da madrinha -

    Lygia Bojunga

    Agir
    1999
    94 páginas
    3h 8m
    ISBN-10: 8522004013
    Português Brasileiro
    3.9
    1992 avaliações
    Leram3682Lendo111Querem707Relendo13Abandonos52Resenhas154
    Favoritos0Desejados707Avaliaram1992

    A casa da madrinha é a história de uma casa que se torna o centro dos pensamentos e dos desejos de um menino, que acaba largando o mundo onde vive - mundo hostil, sem saída - e parte em busca da casa. Encontra um companheiro de viagem: um pavão. Estrada afora, a história dos dois se mistura: e, à medida que se estreitam as fronteiras entre a fantasia e a realidade, uma galeria de personagens vai surgindo - a Gata da Capa, o João das Mil e Uma Namoradas, o Cavalo Ah!, Seu Joca do Pandeiro, e mais uma porção deles - ajudando e dificultando a caminhada do menino e do pavão. A história é narrada no estilo vivo e ágil que caracteriza os trabalhos da autora, reconhecida muito além de nossas fronteiras.

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    Eduardo picture
    Eduardo27/09/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A casa da madrinha

    Escrito por Lygia Bojunga, "A casa da madrinha" conta a história de Alexandre, menino pobre, morador da favela carioca, que parte numa viagem em busca da casa de sua madrinha. A realidade do menino é opressora: a família o pressiona a deixar a escola (um dos poucos espaços em que o menino alimentava sua imaginação) para vender guloseimas na praia e assim ajudar com o orçamento familiar, que cada vez mais se aperta. O maior amigo do menino é Augusto, o irmão mais velho, que o apóia e faz de tudo para manter o menino na escola. Mas chega a hora em que não dá mais para protelar isso, e Alexandre deixa a escola. Então, numa conversa, Augusto conta para o irmão da existência de uma madrinha que o menino não conhecia. Essa madrinha tinha uma casa maravilhosa, onde se realizam todos os desejos. Uma casa com conforto, num lugar bonito e alegre, onde há tempo de sobra para brincar e ser feliz. Não se trata de uma simples casa, e sim de um convite à fantasia; à fantasia que a realidade dura tenta ofuscar. Quando o irmão Augusto troca de cidade por conta do trabalho, Alexandre se sente sozinho, já que seu ambiente familiar é de pouco diálogo. Assim, decide partir em busca de seu sonho. Joga tudo para o alto e parte. E parte sozinho. E sem medo. No caminho, seu destino se cruza com o Pavão, bicho curioso, que tem uma história tão difícil como a do menino. Bojunga, com sua linguagem dinâmica, abre a história com Alexandre e Pavão já na estrada, fazendo shows para arrecadar comida e dinheiro. No show eles conhecem Vera, menina que vive em realidade bem diversa (área rural, com um ambiente familiar estável, economicamente). Para Vera -que mesmo diferente de Alexandre, compartilha dos mesmos sonhos e desejos que ele - o menino vai contando a sua história e a do Pavão. Alexandre é um menino de histórias. E Lygia Bojunga também: faz desfilar diante do leitor uma gama de personagens curiosos como a Gata da Capa, o Seu Joca do pandeiro entre outros. A autora usa o recurso fantástico em sua narrativa (há o Pavão e a Gata que falam, os meninos inventam coisas com o pensamento) e faz muito bem, pois é disso que se trata a busca de Alexandre: da busca da fantasia, do encontro consigo mesmo, do encontro com o menino sonhador e criativo que ele é. A viagem de Alexandre não se trata de uma fuga, de uma alienação. Buscar a casa da madrinha (que o irmão Augusto define como uma graça de lugar, uma casa mágica, onde os desejos se realizam) é buscar a fantasia. E a imaginação, a fantasia nada tem de alienação. Quem se aliena cai no nada, ou no escuro (em dado momento, Alexandre, Vera e o Pavão se defrontam com o escuro e eles o vencem). E quem fantasia vive outro mundo, recria a realidade. E ao recriar a realidade, eles amadurecem. Aprendem. Trata-se uma viagem em busca da fantasia que não deve nunca adormecer nas pessoas. Ao dizer isso, estou falando da viagem de Alexandre e seus amigos até a casa da madrinha, mas essas palavras servem também para outra viagem: a viagem fantástica que faz quem lê “A casa da madrinha”, de Lygia Bojunga.

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