De nossos medos mais profundos é que a ficção fantástica se alimenta. Não exatamente dos medos provocados pela faceta demoníaca do mundo ― fantasmas, vampiros, criaturas da noite ―, típicos da ficção sobrenatural. (Desses também, um pouco.) Mas principalmente dos medos de tudo oque ameaça os frágeis alicerces da razão cartesiana. Pavor de que o mundo e a vida não façam sentido. De que a irrealidade cotidiana não seja coerente. De que seja apenas uma longa piada de muito mau gosto. Humor infame. Pegadinha humilhante de programa de auditório ruim. Pesadelo delirante. Loucura. Mesmo sem saber, os personagens desta coletânea estão constantemente ecoando Calderón de la Barca: “Que é a vida? Um frenesi. Que é a vida? Uma ilusão, uma sombra, uma ficção. O maior bem é tristonho, porque toda a vida é sonho e os sonhos, sonhos são. ” E Shakespeare: “A vida é uma história. Contada por um idiota. Cheia de som e fúria. Sem sentido algum.” Nelson de Oliveira
Cães Noturnos -
Ivan Nery Cardoso
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Ver maisUma literatura de ficção de energia literária fantástica Caēs noturnos, obra de Ivan Nery Cardoso é uma ficção literária de contornos fantásticos, o que te fará lembrar desde os Contos dos irmãos Grimm até Crônicas de Nárnia de C. S. Lewis chegando até ao O mágico de Oz. Ivan prepara uma literatura que toca nos nossos mais profundos medos reais, psicológicos e literários. Eu confesso que tenho medo de realismo fantástico, tenho medo até Casa dos Espíritos de Isabel Alende. 😳🗣) Ivan não escreve ficção sobrenatural, mas apresenta com habilidade literária a tessitura frágil dos nossos medos cotidianos. E sua escrita tem a suavidade da utopia e irreverência. A coletânea está sempre indagando horizontes sobre si mesmo e os sentidos (o que me lembrou Victor Frankl) as perguntas do íntimo do ser na criação literária. Ivan deve ter lido muito Saramago e tomado cafezinho com ele. Ivan trabalha na ficção desde a irreverência à logoterapia. E traz a referência à Calderon de La Barca sobre “o que é a vida.” Escrita frenética, de estado literário volátil, uma “literatura da irrealidade” e a mesmo tempo calma, por que o escritor também é calmo na criação literária de sua obra de estreia de Cães Noturnos. Da selvageria ao sexo, a anjos libertinos, a excentricidade de Ivan é um arranjo notório ficcional dentro da literatura de ficção brasileira. O espírito fantástico, “a sublime desarmonia”, que incomoda, nos faz rir refletir, ter estranhamentos da natureza de sua literatura ficcional brasileira saem referências como Júlio Cortázar aos contos de Lygia Fagundes Telles. Ler Ivan é atravessar para o outro lado fantástico da ponte de terabítia pisando devagar na caminhada com as suas palavras, para que o leitor (a) apreciem esses Caēs que apesar de estranhos podem ser muito dóceis, engraçados e agradáveis. #literaturabrasileira #literaturanacional #ficcaobrasileira Cães da ficção fantástica Cães Noturnos é tudo que a literatura ficcional brasileira fantástica precisava: para o leitor receber qualidade de construção e composição de camadas ficcionais de estranhamento, irreverência, os “Cães Noturnos” de Ivan Nery Cardoso são uma verdadeira metástase social, entre críticas, irreverências, uma coletânea potente e de pesos imaginários fantásticos que mexem com o cérebro do leitor. O binômio acúmulo/escassez, o realismo fantástico são duas peças de engrenagem desta narrativa. Ivan Nery Cardoso deixa o leitor com seus cães noturnos para uma relação sublime e de estranhamentos, com a sua bela, admirável e estranha ficção fantástica brasileira contemporânea. #literaturanacional #ficcao #literaturabrasileira
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