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    Enxofre -

    Marcos Aquino

    Editora luva
    2023
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9786500761023
    Português Brasileiro
    4.5
    2 avaliações
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    “Esqueça as casas simples, as cadeiras na calçada. A Piedade de Marcos Aquino é outra - dura e pesada como o som do Enxofre do Canibal.” Fernando Molica, escritor Rock pesado, camisetas negras, cabelos compridos e olhar enfadado refletem não apenas a rebeldia da adolescência como também o receio de adentrar a vida adulta, se “enquadrar” – e quem não passou por isso? Os personagens de “Enxofre”, primeiro romance do escritor Marcos Aquino, trazem o cheiro de álcool e cigarro, dos quartos ao meio-dia com cortinas cerradas, guitarras distorcidas e a ânsia de chegar a algum lugar além da mediocridade que parece reinar. Mais que um romance de formação, o maior atrativo deste livro adorável e corajoso, é a maneira de narrar: “Em Piedade, longe da civilização, ainda na tarde alta, havia também toda uma sonolência própria que continuava atrás das janelas fechadas, varandas vazias e patas caninas em repouso entre as grades dos portões.” A trama se passa no subúrbio do Rio de Janeiro – sim, existe vida inteligente, e muito, por lá – e acompanha a trajetória de um grupo de jovens envolvidos com a idealização, produção e lançamento de uma banda de rock chamada Enxofre do Canibal. Jadson – que nos remete à Dean Moriarty, de “On the road”, de Jack Kerouac –, é o mentor intelectual do grupo: “Os óculos vinham pousar com lucidez no rosto maltratado, conferindo-lhe um semblante de intelectual do underground, de pensador artista, de roqueiro erudito, tudo isso explodindo naquele significativo aperto de mãos, reverberando naquele cumprimento que me transmitiu um bloco inteiro de informações, que me disseminou o futuro”. Thaiane, a musa: “(...) rígida demais, o nariz agudo que se destacava no vale deserto do rosto, o coturno de cadarços entrelaçados até o alto das finas canelas.” Felipe, narrador em primeira pessoa – não confiável –, é avesso à luz do sol: “(...) Ia e vinha e era com brio que as pernas também trabalhavam, dedicadas a perseguir o curso das sombras, por estreitas que fossem, de tal maneira que era levado a me apertar entre carros e paredes de chapisco quando necessário, por vezes saindo ferido num roçar de braço, mas sempre ao abrigo do fogo”. Esses trechos são um breve aperitivo desse romance cheio de punch – palavra do idioma inglês que significa ‘soco’, ‘pegada’ – e de referências musicais que farão a retumbar os corações chegados ao rock. Ao virar de cada página, a vontade é de gritar uhuu com os dedos em forma de chifres e aumentar o volume das caixas.

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    Vanessa Liandro picture
    Vanessa Liandro15/03/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Rock, romance e juventude

    Bora ouvir o som pesado do Enxofre do Canibal? Felipe e mais três amigos formaram essa banda com o intuito de quem sabe crescer no meio musical. Será que vai dar certo? Só lendo pra saber a resposta. Eu li e gostei demais de acompanhar Felipe nas suas andanças pelo Rio de Janeiro. Me lembrou da minha própria juventude onde não há muitas preocupações com o futuro e claro das interações com diferentes grupos de pessoas. Nessas interações que o personagem viverá, ele vai conhecer uma galera da zona sul. Nos diálogos é perceptível as distinções desse grupo em relação ao grupo do bairro de Felipe. São mundos diferentes, mas que aqui eles se cruzam e juventude convivem por um tempo. Temos também muitas questões filosóficas trazidas ao enredo, afinal Felipe cursa Filosofia em uma universidade pública. Nietzsche dá o ar de sua graça nessa história. O livro é bem curtinho, mas com muito a dizer. Com críticas sociais, as loucuras da juventude, sonhos, romances (confesso que não curti o interesse amoroso do Felipe, a garota só enrolava ele e também havia uma garota, que ele conversava muito no telefone, ficou bem platônico) e claro muito rock. Obrigada ao autor por me ceder a obra e por me relembrar de uma época que ficou na memória.

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