Her Mother's Mother's Mother and Her Daughters -

    Maria José Silveira

    Open Letter
    2017
    335 páginas
    11h 10m
    ISBN-13: 9781940953670

    Spanning 500 years of Brazilian history, Her Mother’s Mother’s Mother and Her Daughters chronicles a family of women, beginning in 1500 with the birth of Inaiá, daughter of a Tupiniquim warrior, and ending in 2001 with Inaiá’s distant descendent, Maria Flor. As each new daughter takes the place of her mother, and the mothers before her, Maria José Silveira’s captivating, cinematic prose takes us through the formation of the country itself, as well as through the roles, customs, challenges, and intrigues of the women within it. Subversive and refreshing, Silveira blends great storytelling with personal politics to critique the machismo, authoritarianism, and abuses of power prevalent in Brazilian culture.

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    Berttoni Licarião12/11/2019Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Este romance de Maria José Silveira, publicado originalmente em 2002 e agora reeditado com um capítulo extra, é um projeto, no mínimo, ambicioso: a narrativa conta a história do Brasil (da invasão portuguesa ao golpe de 2016) a partir de uma linhagem de mulheres que viveram guerras, migrações, insurreições, ditaduras e inúmeros outros golpes (físicos, simbólicos, políticos). Mas diferente da obsessão documental que caracteriza os romances ditos históricos, Silveira não permite que a pesquisa em documentos e arquivos prevaleça sobre a narrativa: o que pesa do primeiro ao último capítulo é a imaginação, formas presentes de enxergar uma família que começa com a tupiniquim Inaiá e o jovem grumete Fernão em 1500. 📖 O tom encontrado pela autora beira a oralidade, o que confere leveza e ritmo até mesmo nas passagens mais sombrias do romance (que são muitas, considerando nosso histórico de escravidão, machismo e repressão). Ricamente caracterizadas, as mulheres de Silveira são forças contra o abuso de poder e a violência de gênero. Chama a atenção, ainda, a opção (polêmica!) de começar a narrativa por um relacionamento genuinamente amoroso entre a índia e o rapaz português, marcando, a meu ver, uma “origem” possível e pacífica que foi, logo em seguida, manchada pelo estupro e pela desumanização da exploração colonial. 📖 Convém mencionar, para concluir, o capítulo adicionado a esta edição. Silveira dá continuidade à história de Maria Flor, filha de desaparecidos políticos da ditadura, por meio de sua filha Amanda, uma millennial que vivenciará a derrocada da democracia com o impeachment da presidenta Dilma. Há quem considere isso, essa guinada tão clara à esquerda, um defeito do livro. Mas não seria toda a obra, escrita sob a perspectiva das mulheres e contra a história hegemônica dos homens brancos, precisamente isso? Recomendo, portanto, a quem não gostar do excesso de "esquerdismo" do final, que compre a edição antiga e feche os olhos para o título, ignorando o mundo de mulheres guerreiras do povo brasileiro que se anuncia ali.

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