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    Inveja e gratidão e outros ensaios (1946-63) (Melanie Klein #2) -

    Melanie Klein

    Ubu
    2023
    416 páginas
    13h 52m
    ISBN-13: 9788571261341
    Português Brasileiro
    4.2
    29 avaliações
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    Este volume fundamental em psicanálise reúne os artigos publicados entre 1946 e 1963 por Melanie Klein, psicanalista austríaca-britânica que revolucionou a teoria freudiana ao estabelecer parâmetros para compreender a psique infantil a partir de uma perspectiva rigorosamente psicanalítica e desenvolver técnicas únicas para abordar clinicamente as fantasias e o sofrimento psíquico das crianças. O primeiro artigo, “Notas sobre alguns mecanismos esquizoides”, desenvolve a ideia da chamada “posição esquizoparanoide”, um estado inicial anterior ao estabelecimento do sentimento de culpa em que o ego incipiente e fragmentário do bebê, incapaz de integrar a experiência de si e do mundo, divide tudo binariamente entre bom (carinhoso e gratificante) e mau (frustrante e persecutório). Os artigos seguintes descrevem a interação entre as duas posições no desenvolvimento psíquico segundo Klein, a depressiva e a esquizoparanoide. O ensaio que dá nome à coletânea, “Inveja e gratidão”, introduz a ideia da inveja primária e demonstra como ela afeta o desenvolvimento sadio, evidenciando sua relação com a emergência de quadros psicóticos.

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    César de Oliveira picture
    César de Oliveira28/03/2024Resenhou um livro
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    Travessia da fantasia em termos kleinianos

    Em termos bastante gerais, mas úteis para condução de uma psicanálise, o final de um tratamento (em termos kleinianos) seria a travessia da posição esquizoparanoide para posição depressiva. Interessante o uso da palavra 'posição', que passa uma ideia de fluidez possível, um posicionamento que pode ser manejado pela própria pessoa ao longo da vida. Claro que depressão aqui não é a doença psiquiátrica, mas uma certa receptividade interna ao mundo externo que pode ser agressivo conosco mas que temos agora instrumentos para responder a essa hostilidade. posição esquizoparanoide: Klein considera que desde o nascimento já há um ego/eu suficiente para experimentar a ansiedade, usar mecanismos de defesa e formar relações de objeto primitivas na fantasia e na realidade porém imaturo. Quando confrontado com a ansiedade produzida pela pulsão de morte, o ego deflete, parte em projeção (expelindo a angústia), e outra em agressividade (atacando o objeto angustiante, como o seio materno). Neste confronto do ego imaturo com a realidade hostil uma resposta possível do bebê é idealizar um objeto que o preserva, o 'seio bom' para sobreviver ao objeto que o quer destruir, o 'seio mau'. As fantasia do ego ideal podem ser expressas nas experiências gratificantes recebidas da mãe real enquanto as fantasias de perseguição são expressas nas experiências de privação e sofrimento atribuídos pelo bebê aos objetos persecutórios. A passagem para a posição depressiva ocorre quando há predominância das experiências satisfatórias. posição depressiva: em 'boas condições' (suficientemente boas, diria Winnicott), o 'seio bom' e impulsos libidinais são mais fortes do que o 'seio mau' persecutório. Sentindo que seu ego está mais forte ele se sentirá menos temeroso de seus impulsos maus e terá menos necessidade de projetá-los. A projeção e a divisão diminuem e o impulso para integração do ego e do objeto se tornam preponderantes e permitem ao bebê reconhecer a mãe com intermediações fantasiosas menos ansiogênicas, porém ainda assim ambivalentes. Acontece que antes não havia ambivalência e contradição, apenas idealização no 'bom' ou 'mau' absolutos. O bebê começa a perceber que ama e odeia a mesma pessoa e que ele também é apenas um com ambos os sentimentos.A experiência da depressão faz com que o bebe deseje reparar esse objeto, restaurar e recuperar os objetos amados perdidos. Acredita que seus ataques destruíram o objeto e que seu amor pode desfazer os efeitos de sua agressividade. A posição depressiva nunca é plenamente elaborada, a vida adulta sempre contém as experiências da infância, as ansiedades relativas a ambivalência e culpa, bem como as situações de perda.

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