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    Babel - ou a necessidade de violência

    R.F. Kuang

    Intrínseca
    2024
    592 páginas
    19h 44m
    ISBN-13: 9788551008997
    Português Brasileiro
    4.5
    4629 avaliações
    Leram5457Lendo1665Querem12643Relendo7Abandonos258Resenhas1349
    Favoritos1223Desejados12643Avaliaram4629

    Da autora da aclamada trilogia A Guerra da Papoula e vencedora dos prêmios Nebula e Locus, a obra é uma trama avassaladora e brilhante sobre a magia da linguagem e o uso das palavras como instrumento de poder. Em 1828, um menino se torna órfão pelo rastro do cólera em Cantão, na China. Sob o nome de Robin Swift, ele é levado a Londres pelo misterioso professor Lovell e por anos se dedica ao estudo de diversos idiomas, como latim e grego antigo, preparando-se para um dia ingressar no prestigiado Real Instituto de Tradução da Universidade de Oxford, conhecido como Babel. Com sua torre imponente que guarda segredos inimagináveis, Babel é o centro mundial do saber. No Instituto, Robin descobre que aprender a traduzir é também aprender a dominar a magia. Através de barras de prata encantadas, é possível manifestar as nuances e os significados perdidos na tradução ― e essa arte trouxe aos britânicos uma dominância sem precedentes. Para Robin, Babel é uma utopia dedicada à busca do conhecimento. Mas o conhecimento obedece ao poder... Chinês criado na Grã-Bretanha, o jovem começa a se questionar se servir a Babel significa trair sua pátria e se vê dividido entre a Instituição e uma obscura organização destinada a impedir a expansão colonialista. Quando a Grã-Bretanha vislumbra entrar em guerra com a China motivada por prata e ópio, Robin vai precisar escolher um lado. Afinal, será possível mudar as instituições por dentro ou a violência é inerente à revolução? Em uma narrativa brilhante, visceral e sombria, R.F. Kuang ― autora da aclamada trilogia A Guerra da Papoula e um dos maiores nomes da fantasia atualmente ― revisita e reescreve a Revolução Industrial na Inglaterra e a história colonial da China na década de 1830. Vencedor dos prêmios Nebula e Locus, Babel ou a necessidade de violência é ao mesmo tempo uma carta de amor e uma declaração de guerra, abordando temas como revoluções estudantis, resistência colonial e o uso da linguagem e da tradução como ferramenta dominante do império britânico.

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    Jennifer Luiza picture
    Jennifer Luiza13/02/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "A história, pela primeira vez, é fluida."

    Nada menos do que perfeito. A trilogia "A guerra da Papoula" tornou-se a minha favorita no ano passado, e eu estava muito ansiosa por este livro único da autora, e ele superou todas as minhas expectativas. Não diria que é uma fantasia para todos; em boa parte do livro, não há muita ação. O que diferencia as obras da R.F. das outras é que não existe aquele personagem de 16 anos de uma distopia que vai salvar o mundo dos tiranos com o poder do protagonista. Não, as histórias dela se assemelham muito com a realidade. Não é bonito; é violento, é injusto e com toda certeza não depende de uma pessoa só e leva tempo. Na realidade, as batalhas travadas nos seus livros são lutas que precisam ser defendidas para sempre. Eu amo isso; me faz pensar, refletir. Ela mistura ficção com história; aqui mesmo, o foco é a revolução industrial da Inglaterra e a história colonial da China em 1830. O livro "Babel", de R.F. Kuang, leva os leitores a uma jornada épica através do tempo e do espaço, mergulhando nas profundezas da história, magia e dilemas morais. A história segue Robin Swift, um órfão chinês que se torna um erudito linguista em Londres, preparando-se para ingressar no prestigiado Real Instituto de Tradução da Universidade de Oxford, conhecido como Babel. Nesse ambiente imponente e repleto de segredos, Robin descobre que a arte da tradução está intrinsecamente ligada à magia, trazendo uma nova perspectiva sobre o poder e a dominação. Ao se ver dividido entre lealdade à Instituição e seu senso de justiça, Robin enfrenta dilemas éticos profundos, questionando se é possível mudar as instituições por dentro ou se a violência é inevitável para promover a revolução. Com a iminência de uma guerra entre a Grã-Bretanha e a China, motivada por interesses econômicos e políticos, Robin é forçado a escolher um lado, confrontando as complexidades da identidade, patriotismo e poder. "Babel ou a necessidade de violência" desafia as convenções e mergulha nas profundezas da alma humana, questionando onde reside a verdadeira essência do poder e da justiça. É mais leve que a trilogia, mas ainda pode acionar muitos gatilhos, pois trata-se de uma guerra, um país colonialista e como ele trata as pessoas de suas colônias. Terminei a obra com a vontade de ser poliglota; eu nunca tinha parado para pensar na verdadeira importância da linguagem, como a tradução traz um poder para o tradutor, ele vai definir o que se torna a verdade. Essa parte me lembrou "1984" de Orwell. O livro explora brilhantemente temas como a escravidão, eurocentrismo, resistência colonial, revoluções estudantis, xenofobia e o uso da linguagem e da tradução como ferramenta dominante do império britânico. Tirando as aulas de história, na parte de fantasia, eu gostei muito da magia que ela colocou nas palavras e na prata; com toda certeza não é mentira, ela só deixou mais literal para dar uma emoção. Já na parte dos personagens, eu nunca posso reclamar que ela não os explora. O Robin me lembra muito a Rin; ele não é aquele protagonista perfeito, é muito humano e comete vários erros. Isso pode dar raiva em alguns momentos, mas me faz amá-lo mais, pois ele não passa de uma criança jogada no olho do furacão por alguém que só queria controlá-lo. A forma como a autora narra a obra faz você entender exatamente o que move cada personagem, seja para o bem, seja para o mal. Resumindo, um livro favoritado, que eu não consigo descrever a grandeza. A autora deveria ganhar todos os prêmios existentes e deveriam criar outros apenas para ela ganhar mais. Uma pessoa genial, inteligente, com consciência de classe, consciência da história, criativa, verdadeiramente mágica com as palavras; quero ser ela quando eu crescer. •"mas as pessoas que tinham o poder de fazer alguma coisa a respeito haviam sido colocadas em posições nas quais obtinham lucro, e as pessoas que mais sofriam não tinham poder nenhum."

    341 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.5 / 4629
    • 5 estrelas55%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas10%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%
    Rebecca F. Kuang profile picture

    Rebecca F. Kuang

    Escritora, tradutora de mandarim e bolsista da Marshall Scholarship. Mestra em Filosofia, na área de Estudos Chineses por Cambridge e em Estudos Chineses Contemporâneos por Oxford. Atualmente cursa o doutorado em Literatura e Línguas do Oeste da Ásia em Yale, com foco em estudos de diáspora, literatura chinesa contemporânea e literatura asiático-estadunidense . Pela trilogia A Guerra da Papoula, venceu os prêmios Astounding Award, Crawford Award e Compton Crook Award, além de ter sido indicada aos prêmios Hugo, Nebula, Locus e World Fantasy Award.

    33 Livros
    1.2 Seguidores

    Rebecca F. Kuang