Maurice Bendrix inicia o livro com ódio, diz odiar a todos até a si mesmo. Mas será que é ódio o que realmente sente.
Ele odeia Sarah, a amante que o deixou, odeia Henry o marido e acima de tudo odeia a Deus.
É uma história de traição, aceitação, amor, ódio, e ao que parece mesmo que relutante, é uma história de fé.
"A fé se entranhou em mim como uma doença. Do mesmo modo como me apaixonei. Nunca amara antes como o amo e nunca antes acreditei em nada como agora. Tenho certeza."
O amor, o ciúme, a perda a fé tudo isso é tangível durante a leitura, mas o ódio é mais forte e mais presente e as vezes se confunde com todo o resto. Tornando tudo isso em qualquer coisa, menos indiferença.
Bendrix odeia e ama na mesma proporção é tanto que seu ódio e seu amor se confundem e se mesclam tornando tudo profundo e vivo. A linha entre o ódio e o amor é muito tênue.
O autor consegue descrever com tanta precisão todos os sentimentos que acabamos imersos em todos eles e profundamente envolvidos com tudo que os protagonistas passam.
Esse é um livro que mexeu comigo quando o li da primeira vez e tornou a me envolver agora. A escrita do autor é maravilhosa e me fez viver a história. Parece que estou assistindo a um Noir a espreita em um beco frio e escuro presenciando o desenrolar da história com detetives, traição, amor, ódio e morte.
Assisti ao filme também: e é maravilhoso.
Recomendo essa leitura para um dia de frio.