Hilda Furacão passa-se em Belo Horizonte no início dos anos 60, Hilda, a Garota do Maiô Dourado, enfeitiçava os homens na beira da piscina em um dos mais tradicionais clubes, o Minas Tênis. Por algum motivo secreto muda-se para o quarto 304 do Maravilhoso Hotel, na zona boêmia da cidade. Transformada em Hilda Furacão, a musa erótica tira o sono da cidade. Sua vida de fada sexual cruza-se com os sonhos de três rapazes vindos do interior: um é inspirado no notório Frei Betto, que queria ser santo, mas se tornaria frade franciscano, líder político e escritor. Outro queria ser ator em Hollywood — torna-se dom juan de aluguel. O terceiro, aquele que queria ter sua Sierra Maestra, é o próprio Roberto, narrador da história. Hilda Furacão é o desafio que o santo tem que enfrentar. O romance foi transformado em minissérie de grande sucesso pela TV Globo, com Ana Paula Arósio no papel de Hilda.
Hilda Furacão -
Roberto Drummond
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Ver mais— Por que a garota do Maiô Dourado trocou o Minas Tênis Clube pela Zona Boêmia? "Hilda Furacão" é uma obra fascinante, o livro retrata de forma única o cenário político e social de Belo Horizonte na década de 1950, entrelaçando os destinos de vários personagens em meio a uma trama cheia de simbolismos e críticas sociais. A política desempenha um papel significativo no enredo, o Roberto que além de autor, também narra a história, é um jovem jornalista, que simpatiza com ideias comunistas e que está envolvido em atividades políticas de esquerda. Na minha opinião, ele conseguiu apresentar uma visão crítica e perspicaz sobre a política da época, a abordagem dele permite a nós leitores várias reflexões, não apenas sobre o passado histórico do Brasil, mas também sobre questões políticas atuais. O relacionamento entre Hilda e Malthus também é importante para o enredo, apesar de ser bem menos trabalhado do que na minissérie de tv, continua sendo um romance complexo. Inicialmente, Malthus é apresentado como um homem de fé e moralidade rígidas, um Santo, um líder espiritual que encontra em "Hilda" o seu milagre, ele quer "salvar" Hilda do mundo de devassidão em que ela vive. Já a figura de "Hilda Furacão", na minha opinião, é apresentada como uma representação da libertação feminina em meio a uma sociedade conservadora e opressora. O relacionamento deles evolui ao decorrer da trama, mas o principal acontecimento do romance é o sapato de Hilda que ela acaba perdendo, e que Malthus encontra, guarda, e passa a "adorar" às escondidas. Por um lado, a presença de Hilda na vida de Malthus é uma ameaça às suas convicções, e ao seu papel social como líder espiritual. Por outro lado, ela desperta nele compaixão, empatia, e até mesmo desejo, coisas que estão além de fé e moralidade. Acho importante ressaltar que o relacionamento deles não se limita apenas ao aspecto romântico ou sexual, mas também abrange questões mais profundas como liberdade e aceitação. Hilda, sendo uma personagem multifacetada, desafia não apenas Malthus, mas também os padrões sociais e religiosos da época. Enfim, "Hilda Furacão" é uma leitura pra quem gosta de política e romance, continua sendo uma obra relevante mesmo décadas depois de sua publicação. A escrita pode causar estranheza, mesmo sendo poética é um pouco densa, necessito também dizer que a minissérie romantizou muito dos acontecimentos, aqui no livro, nós temos apenas o relato cru do Roberto, já na série temos cenas lindas e sensíveis entre Hilda e Malthus, portanto, não esperem nada de cenas bonitas, pois é tudo na visão do nosso querido Camarada Lima (KKKKKK). Independente de qualquer coisa é uma leitura que vale à pena.
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