A Guerra [ebook] - A ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil

    Bruno Paes Manso, Camila Nunes Dias

    Todavia
    2018
    369 páginas
    12h 18m
    ISBN-10: B07FP12BGG
    Português Brasileiro

    Uma reportagem de alta temperatura, que comprova a falência da segurança pública no Brasil. Entrevistas com diversos integrantes do PCC revelam as entranhas das organizações criminosas. Este livro é uma reportagem capaz de fixar a fisionomia do crime no Brasil. Os autores obtiveram relatos inéditos de integrantes das facções e contam essa história sob um ângulo inédito e revelador. Geridas de dentro dos presídios, as facções criminosas se profissionalizaram. Quem assumiu a dianteira desse processo foi o PCC, responsável por um grau inédito de organização nos presídios brasileiros. Criada em 1993, meses após o Massacre do Carandiru, quando 111 presos foram mortos pela polícia, a facção passou a ditar as regras do crime nos presídios de São Paulo, impôs sua influência sobre outros estados e agora se internacionaliza a uma velocidade vertiginosa. Nunca essa realidade foi retratada com tintas tão fortes.

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    Bookster Pedro Pacifico26/02/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A guerra: a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil, de Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias – Nota 9/10

    Escrita por uma socióloga e por um jornalista, essa obra é muito mais que uma reportagem jornalística sobre uma facção criminosa, o PCC. Os autores conseguiram tecer o retrato da violência organizada do Brasil, passando por temas importantíssimos como os problemas de nosso sistema prisional e o papel do tráfico de drogas como fonte de sustento para as facções. E esse retrato apresentado ao longo da obra é assustador, pois deixa clara para o leitor a real dimensão do poder que as facções criminosas detêm fora e dentro dos presídios brasileiros. Sua relevância é tamanha, que o livro revela a dificuldade do Estado em conseguir lidar, conter e até mesmo se comunicar com essas organizações. Na verdade, não são meras organizações criminosas. Por meio de relatos dos próprios integrantes das facções, percebemos um claro processo de institucionalização. Hoje, eles contam com uma sólida pirâmide hierárquica, “tribunais” próprios e uma estrutura administrativa ramificada e complexa para conseguir gerenciar as cifras milionárias que passam pela cúpula do poder – e que têm como fonte principal o tráfico de drogas. É quase um “Estado” à parte, em que cada indivíduo que passa a integrar a facção – por meio do “batismo” – deve se submeter a regras extremamente rígidas, as quais, caso descumpridas, podem levar à sua morte. O texto também aborda diversas passagens históricas e mostra como elas estão relacionadas, criando um cenário propício para a ascensão das facções ao poder. É realmente um livro que abre nossos olhos. Não há como terminar a leitura sem ter consciência de como o problema da violência é complexo e envolve diversos setores políticos e sociais. E mais que isso: apenas confirma que a “solução” de prender e isolar o criminoso é, na verdade, um verdadeiro tiro no pé, uma vez que é das prisões que nascem as facções e é das prisões que o seu comando é exercido. De aspecto negativo, senti que algumas passagens continham detalhes em excesso que poderiam cansar o leitor comum, que não busca uma pesquisa acadêmica sobre o assunto. Enfim, uma leitura obrigatória!

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