A Escrava Açoriana -

    Pedro Almeida Maia

    Cultura Editora
    2022
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9789899096752
    Português

    No ano da Graça de 1873, o mundo pertence aos homens que cospem para o chão. Açorada por partir, Rosário oculta-se num enorme capote e capucho negro, tal como a maioria das mulheres. É uma adolescente irreverente, do contra, e desafia todas as convenções masculinas: rouba, corre descalça, luta com os punhos e até beija em público. No final do dia, lê Camilo e reza o terço com a mãe. As Ilhas Adjacentes são um misto de encanto e de escassez, afasta- das do Reino e das promessas da Coroa. Os engajadores brasileiros aliciam os açorianos a viajar para o Império, com promessas de riqueza. A família de Rosário entrega tudo o que possui e embarca na escuridão. Mas a viagem no navio é calamitosa, uma nuvem de pessoas atoladas na própria imundície, e a chegada ao Rio de Janeiro oferece desafios inesperados. Rosário vive como uma escrava e vê o futuro esfumar-se. Perde o rumo, a virgindade e a esperança. Precisa de reagir, mas isso implica tornar-se uma pessoa totalmente diferente.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    Renan Messias picture
    Renan Messias26/11/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Releitura do cânone

    Entrei no romance esperando uma história de época e encontrei uma narrativa que, embora dialogando com Amor de Perdição, faz do cânone apenas um dos seus muitos espelhos. A trajetória de Rosário, marcada por pobreza, deslocamento e violência estrutural, tem uma força emocional que me prendeu desde o início. Gostei muito da forma como Pedro Almeida Maia recria o século XIX sem romantizá-lo: tudo é cru, duro, mas narrado com sensibilidade e ritmo. A presença do livro de Camilo no enredo, ora como esperança, ora como ironia trágica, dá ao romance um lastro afetivo que me comoveu profundamente, afinal sou apaixonado no Amor de Perdição. A cada vez que Rosário abre o Amor de Perdição, o contraste entre idealização e realidade se torna mais intenso e, como leitor, eu também fui percebendo que a grande força do romance está justamente em mostrar o que fica de fora das idealizações românticas do passado. Gostei muito de como ele traz à tona temas como migração, exploração, pobreza e violência de gênero sem jamais perder de vista a humanidade da personagem. Rosário é uma protagonista que nos acompanha para além da leitura; sua luta, suas pequenas esperanças, seu desejo de futuro permanece ecoando. Terminei o livro com a sensação de ter lido uma obra que dialoga com a canção para criticá-lo, ampliá-lo e reinventá-lo. E isso, para mim, é que a literatura contemporânea tem de mais poderosa. A Escrava Açoriana é um romance que gostei muito pela escrita envolvente, pela construção emocional densa e pelo modo como desenvolver voz e corpo a uma história que, no século XIX, talvez nunca tivesse sido contada. É uma obra que recomendo sem hesitar, tanto para quem conhece Camilo quanto para quem apenas deseja uma narrativa forte, humana e inesquecível.

    curtir

    Estatísticas

    Avaliações

    4.5 / 3
    • 5 estrelas67%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%